Ao contrário do país, agronegócio goiano não deve sofrer com escassez de fertilizantes

País tem estoque de produtos suficiente para a atual safra; preocupação é com a produção de 2022/2023

Entidades ligadas ao agronegócio e produtores goianos monitoram a possível escassez de fertilizante importado da Rússia e Belarus – países da região marcada por uma guerra na Ucrânia. Além desse produto, o Brasil depende de nitrogênio, potássio e fósforo produzidos pelos russos. Esses nutrientes são mais utilizados na agricultura. A falta desses defensivos agrícolas na cadeia de produção poderia em efeito cascata aumentar os preços da produção para os consumidores, o que pode retardar isso é que os produtores fazem estoques de fertilizantes. 

“Hoje, os estoques brasileiros estão em patamares altos para o período”, frisa o engenheiro agrônomo Cristiano Palavro, técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja). A incerteza dele é se o setor irá conseguir renovar os estoques de fertilizantes. Uma vez que todos os portos russos estão bloqueados e, além disso, o país tem sofrido com as várias sanções. “Sabemos que a capacidade de estoque será afetada, mas se teremos um desabastecimento, ainda é cedo para afirmar. Na minha visão, esse conflito não tende a durar muito tempo, até mesmo pela discrepância de poder dos russos em relação aos ucranianos”, análise Palavro. Antes mesmo da deflagração do conflito os preços dos fertilizantes no mercado internacional já estavam sofrendo reajustes, e mesmo com o fim da guerra, a estimativa é que aumento mais. 

No Brasil, a maior parte dos fertilizantes são utilizados para a produção de grãos, como soja, milho e etanol, cujos preços são veiculados à produção, mas a precificação internacional, isto é, caso haja supersafra ou alto nos custos com insumos, isso não é diretamente repassados ao consumidor final. Por outro, as cadeias de produção de hortaliças e pecuárias, que usam fertilizantes, impactam diretamente nos preços finais. Porém, havendo diminuição de áreas plantadas, redução de algumas culturas e falta de produtos isso tudo pode resultar em alta de preços. “O que vai impactar é a gente ter uma safra menor, às margens do setor (agropecuário) que estavam boas”, salienta o agrônomo. 

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, Tereza Cristina, afirmou, na última quarta-feira, 2, que o Brasil tem fertilizantes para o plantio até outubro. Em relação a essa afirmação, o coordenador institucional do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (IFAG), entidade ligada à Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Faeg, Leonardo Machado, explicou que a disponibilidade dos produtos é referente à próxima safra. “Como funciona isso? Goiás e o Brasil plantaram a safra de verão no final do ano passado e agora está colhendo e, agora, está plantando a segunda safra de milho. Para essas duas teve e tem fertilizantes disponíveis para a utilização”, assegura. 

O Brasil importou no ano passado 41 milhões de toneladas de fertilizantes. “É uma quantidade muito grande frente a necessidade do país. Por isso, a ministra Tereza Cristina tem colocado que a gente tem disponibilidade a curto prazo de fertilizantes”, frisa. Contudo, a preocupação do agronegócio é para a safra de 2022/2023, quando haverá a necessidade de grande volume de aquisição do produto, exportado pela Rússia.  

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