Anseio pelo reequilíbrio do Estado revela “votos surpresas” em favor da PEC da Educação

Para surpresa de muitos, PEC contou com voto favorável dos deputados Major Araújo, Coronel Adailton, Virmondes Cruvinel, Tião Caroço e até do presidente Lissauer Vieira

Foto: Felipe Cardoso / Jornal Opção

Conforme mostrado pelo Jornal Opção, a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) aprovou em primeira votação na tarde da última terça-feira, 10, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Educação. Trata-se, na verdade, de uma emenda aditiva a uma Proposta de Emenda à Constituição do deputado Vinícius Cirqueira (Pros), relacionada à Secretaria de Estado da Economia. A aditiva junta os 2% da Universidade Estadual de Goiás (UEG) aos 25% da educação básica, ao passo que retira os 4% de inativos e remaneja para a Goiás Previdência.

Nesta primeira fase de votação, a proposta foi aprovada com um total de 30 votos favoráveis e nove contrários — vale lembrar que o Governo precisava apenas de 25 votos para que o texto fosse aprovado. Muitos deles já eram esperados, no entanto, alguns surpreenderam. O deputado Major Araújo (PSL), por exemplo, chegou a dizer ao próprio governador Ronaldo Caiado (DEM) que votaria contrário à proposta, no entanto, acabou registrando voto “sim” — pela aprovação da matéria.

“Inicialmente eu até havia dito que votaria contrário, mas depois de muito refletir sobre o assunto cheguei a conclusão que todos de alguma maneira estão sendo submetidos a sacrifícios”, disse o parlamentar à reportagem. Segundo Araújo, Caiado repassou a questão como “emergencial” durante um encontro que tiveram no Palácio Pedro Ludovico — sede do Poder Executivo. “Diante deste cenário entendi que seria correto votar desta forma. O próprio Legislativo etá se submetendo a sacrifícios”.

Deputado Major Araújo / Foto: Fábio Costa

O parlamentar também frisou que, apesar de ter votado com o Governo, ainda possui uma postura independente e continuará atuando desta forma. “Não tenho nada com esse Governo. Voto pelas minhas convicções. Não tenho cargos e não faço questão de tê-los, mas o Governo está começando agora, tenho que dar esse crédito. Até agora não soube de casos de corrupção, de desvios de verbas públicas como nas gestões passadas. Me parece um governo mais sério. Se futuramente provar o contrário, aí sim não terá meu apoio”.

Outro “voto surpresa” foi o deputado Tião Caroço (PSDB) que, diferentemente dos demais colegas de partido — que compõe a principal bancada de oposição ao governo Caiado na Alego —, saiu em defesa da matéria. “Sei que não vai prejudicar a Educação em nada. Já fui prefeito e sei que isso faz parte de uma administração”. Questionado sobre o fato de ter ido contra a orientação da bancada, Caroço disparou: “Minha origem não pertence ao PSDB. Voto conforme minhas convicções. Uma lei pode retroagir para beneficiar, não para prejudicar. Confio que esta não irá implicar em prejuízos, por isso votei favorável”, disse.

Na visão do parlamentar, a UEG sempre enfrentou grandes dificuldades ao longo de sua história. “Nenhum governador que tenha bom senso vai deixar a universidade afundar. Todo governador quer investir em Educação. Sabemos que ela é o pulmão de uma sociedade. Vejo que as medidas adotadas são em prol da recuperação da universidade”, destacou o parlamentar.

presidente da Assembleia Legislativa, Lissauer Vieira / Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Já o presidente Lissauer Vieira (PSB) também foi favorável. Ele, que foi eleito sob discurso de independência, destacou ao Jornal Opção que entendeu a medida como necessária para o reequilíbrio do Estado. “Precisamos de alguns cortes para caminharmos. Evidentemente ninguém quer prejuízos. Acho que essas medidas são importantes pois nos oferecem a possibilidade de encontrar o equilíbrio almejado. Este é o principal objetivo e necessidade do Governo”.

Além dos já conhecidos nomes da base, o deputado estadual Coronel Adailton (PP), que vinha trabalhando na oposição, principalmente quando o assunto era Educação, foi um dos 30 que votou sim à PEC. Ao Jornal Opção ele explicou que não se tratou de uma migração para a base, mas que não deixa de estudar a possibilidade.

Com esses argumentos, o Governo conseguiu agregar apoiadores e defensores da matéria, inclusive parlamentares da base que tinham apresentado resistência no início, como Virmondes Cruvinel (Cidadania). Procurado pela reportagem, Cruvinel não atendeu ou retornou os telefonemas.

Não votaram

Deputados Karlos Cabral (à esq) e Talles Barreto / Foto: Colagem

O tucano Talles Barreto discursou ao longo de todo o encontro em desfavor da proposta. No entanto, no momento da votação o deputado esteve entre os dois, dos 41, que não se posicionaram.

Questionado sobre tal comportamento, o parlamentar justificou que precisou se ausentar por compromisso médico. “O médico estava me esperando. Não pude votar porque precisei comparecer a consulta. Porém, encaminhei voto, orientei a bancada, fiz o possível para que a matéria não passasse, como farei novamente na segunda fase”, comentou.

Outro que não registou seu voto foi o deputado Karlos Cabral (PDT). A reportagem tentou contato com o parlamentar, no entanto, sem sucesso.

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