André Fortaleza quebra silêncio sobre polêmica com vereadora Camila Rosa

Presidente da Câmara de Aparecida foi acusado de violência política e misoginia após impedir fala de vereadora durante discussão sobre participação da mulher na política  

Após polêmica, vereador anunciou que criará o Conselho de Ética da Câmara | Foto: divulgação

O presidente da Câmara Municipal de Aparecida de Goiânia, André Fortaleza (MDB), quebrou o silêncio sobre a troca de farpas que teve com a vereadora Camila Rosa (PSD). O embate entre os dois, com corte de microfone, ocorreu no último dia 2. Durante a sessão, a parlamentar fazia uso da fala, quando foi interrompida, por ordem do presidente da Casa. Após o episódio, Fortaleza se afastou das atividades parlamentares para tratar complicações da dengue. Ele retornou ao trabalho nesta terça-feira, 15, e usou da tribuna para comentar a repercussão do caso.    

“Nós todos sabemos que no último dia 2 de fevereiro houve um embate nesta Casa, no qual estive envolvido e, hoje, estou aqui para me defender, pois nos últimos dias fui bombardeado nas redes sociais, até mesmo por colegas desta Casa, que, por oportunismo, nem sequer me deram a chance de me defender”, iniciou o vereador. O caso virou polêmica na imprensa, nas redes sociais e rendeu posicionamento até do Ministério da Mulher, que pediu investigação

Depois daquela sessão, Camila Rosa disse que se sentiu constrangida, humilhada e desmoralizada por Fortaleza. Ainda no plenário, ela chegou a chorar e considerou a atitude do colega arbitrária. Quando era debatida políticas públicas voltadas para as mulheres. “Foi possível perceber o preconceito e desprezo em relação aos meus direitos enquanto vereadora”, frisou. A pessedista reafirmou que não se calará e iria representar contra o presidente da Casa na Justiça Eleitoral. Ela o acusa de machismo e violência política. Fortalecida pela repercussão, Camila passou inclusive a ser cotada como candidata a Câmara dos Deputados nas eleições de outubro.

O vereador rebateu as acusações de ser machista e misógino. E, em relação ao episódio do microfone ter sido cortado, André alega que cortou a fala da parlamentar, por ter sido desrespeitado. Segundo ele, a vereadora questionou o caráter dele, ao usar o termo “carapuça serviu”. Além disso, criticou as insinuações sobre a falta de transparência na condução do Legislativo. “Como já falei, vou ser muito transparente. Água cristalina perderá para mim de tanta transparência e vou atacar os discursos hipócritas e ilusionistas dessa Casa. E quero ser tratado da mesma forma que tratarei a todos, independente de ser mulher ou homem. Aqui é um parlamento, não tem que existir diferenças”, pontuou.

Para tentar afastar qualquer rótulo de preconceito, Fortaleza disse que valoriza o trabalho das mulheres na Casa. De acordo com o parlamentar, todas as mulheres lá são reconhecidas por  méritos próprios. E que, pela primeira vez, há quantidade recorde de mulheres em cargos de chefia na Câmara. “Não tenho nenhuma mulher como concorrente, como inimiga. E por isso aqui nunca haverá retaliação. Agora, sensacionalismo e oportunismo vou repudiar de todos. E espero que tenham o mesmo tratamento comigo”, salientou. 

Como medida para assegurar a relação dos vereadores, Fortaleza anunciou que será criado o Conselho de Ética. “Está passando da hora de criarmos esse Conselho e começarmos a analisar as atitudes de todos parlamentares. Parar de perder tempo com o ‘circo’ e começarmos a trabalhar”, discursou.

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