Andifes, que representa 71 universidades, cobra compromisso com democracia, ciência e educação nas eleições
25 setembro 2026 às 10h32

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A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) divulgou uma carta à sociedade brasileira com princípios que considera fundamentais para o debate das eleições gerais de 2026. O documento foi lançado na quarta-feira, 23, durante reunião do Conselho Pleno da entidade.
A Andifes reúne 71 universidades federais e mais de 300 campi, com presença em todas as regiões do país. Na carta, a entidade afirma que as eleições devem ser acompanhadas de um debate sobre democracia, educação pública, ciência, inclusão, soberania nacional e desenvolvimento sustentável.
Entre os primeiros pontos apresentados está a defesa da democracia e do respeito à Constituição, às instituições democráticas, à soberania do voto popular e ao resultado das urnas. O documento também menciona a liberdade de pensamento, expressão e produção científica, além do respeito aos direitos humanos e do enfrentamento às discriminações.
A entidade afirma ainda que não deve haver espaço para autoritarismo, ataques às instituições, intolerância política ou tentativas de desacreditar o processo eleitoral sem evidências.
Educação e ciência como políticas de Estado
Outro eixo da carta é a defesa da educação e da ciência como políticas de Estado. A Andifes afirma que o desenvolvimento nacional depende de universidades públicas fortes, autônomas e socialmente referenciadas.
O documento defende financiamento público compatível e previsível para as universidades federais, valorização dos profissionais, respeito à autonomia universitária e condições para a formação de estudantes, produção de conhecimento e desenvolvimento científico e tecnológico.
A carta relaciona a ciência a desafios considerados estratégicos para o país, como a emergência climática, a inteligência artificial, a transformação digital e o crescente interesse internacional por terras raras e minerais críticos.
Segundo a entidade, a capacidade de produzir conhecimento e desenvolver tecnologias é necessária para que o Brasil exerça sua soberania e defina seus próprios caminhos de desenvolvimento.
Inclusão e permanência estudantil
A Andifes também defende a continuidade e o aperfeiçoamento das políticas de ações afirmativas, além de financiamento adequado para a permanência estudantil.
O documento cita ainda igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, inclusão de pessoas com deficiência e medidas de enfrentamento ao racismo, às violências, às discriminações e aos assédios.
Para a entidade, a expansão e a interiorização das universidades e as políticas de assistência estudantil ampliaram o acesso ao ensino superior público e devem ser preservadas e aprofundadas.
Plano Nacional para as universidades federais
Na área de desenvolvimento, a Andifes propõe a construção de um Plano Nacional de Desenvolvimento da Rede de Instituições Federais de Ensino Superior (Rede IFES).
A proposta prevê a consolidação das instituições existentes, a redução das desigualdades entre universidades e campi e uma expansão planejada e sustentável da educação superior federal.
A carta também relaciona o desenvolvimento nacional à redução das desigualdades sociais e regionais, à proteção dos biomas, ao enfrentamento da emergência climática, ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), da educação pública e das áreas de ciência e tecnologia.
Soberania e cooperação internacional
Outro ponto destacado pela entidade é a defesa da soberania nacional associada à cooperação internacional. A Andifes afirma que soberania não significa isolamento e defende o multilateralismo e a construção de soluções conjuntas para desafios globais.
O documento cita ciência, cultura e biodiversidade como áreas nas quais o Brasil pode contribuir internacionalmente.
Ao final, a entidade convoca a comunidade universitária e a sociedade a participarem do debate público durante o processo eleitoral. A Andifes afirma que as eleições representam uma oportunidade para discutir o papel da democracia, da educação pública, da ciência, da inclusão, da soberania e do desenvolvimento sustentável no futuro do país.


