Anastasia diz que Dilma foi “irresponsável” e deve ser julgada por crime de responsabilidade fiscal

Relatório do senador afirma que presidente afastada abriu créditos suplementares sem autorização e fez pedaladas fiscais porque sabia que não cumpriria meta fiscal

| Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Apesar de parecer do Ministério Público Federal, Anastasia manteve entendimento de que Dilma cometeu pedaladas fiscais | Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A Comissão Especial do Impeachment no Senado Federal realiza, nesta terça-feira (2/8), a leitura do relatório de Antonio Anastasia (PSDB-MG) do processo contra a presidente afastada Dilma Rousseff (PT). Apesar de a reunião ainda não ter sido encerrada, o teor do parecer de Anastasia já foi divulgado e, nele, o senador mineiro recomenda que ela seja julgada pelo crime de Responsabilidade Fiscal.

Segundo Anastasia, Dilma incorreu sim em pedaladas fiscais ao realizar operações de crédito irregulares e também deve ser julgada pela abertura de créditos suplementares sem autorização do Congresso Federal. Para ele, Dilma foi irresponsável ao fazer estas operações e as fez por ter consciência de que não conseguiria cumprir a meta fiscal de 2014.

A discussão do relatório começa já nesta quarta-feira (3) e, desde o começo da sessão de terça-feira, os aliados da presidente Dilma Rousseff tentam adiar a leitura e pedem para que o procurador da República Ivan Marx seja ouvido no colegiado. Marx recomendou parte de um processo envolvendo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fosse parcialmente arquivado por entender que não houve pedalada fiscal.

Eles também reforçam a tese de que ela é vítima de um golpe de Estado comandado pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e pelo presidente interino Michel Temer (PMDB). Para os senadores, ela não cometeu crime e tampouco fez pedaladas fiscais, como atestado pelo Ministério Público Federal no último dia 17.

Se não forem alterados os ritos da Comissão, os senadores votarão o parecer já na quinta-feira (4). Depois, mesmo que o relatório seja reprovado, uma segunda sessão, comandada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, vota o relatório mais uma vez. Nesta última votação, são necessários 41 dos 81 senadores para que ele seja aprovado.

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