Utilização do João Leite para turismo e lazer divide opiniões

Local é uma Área de Proteção Ambiental. O Ribeirão João Leite é o maior reservatório de água potável da região Metropolitana de Goiânia

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) realizou na manhã desta segunda-feira, 18, uma audiência pública para debater a ampliação de atividades esportivas e de lazer no Parque Estadual Altamiro de Moura Pacheco (PEAMP) e a exploração recreativa da Barragem do João Leite, prevista no Plano de Uso Público e de Manejo do Parque Estadual do João Leite (PEJol). Atualmente, os locais já contam com atividades como trilhas, mas a proposta é a liberação dos mananciais para a utilização, por exemplo, de canoagem e pedalinhos. “Uma coisa é o uso turístico restrito, que não acessa a água, outro é que acessa a água, e esse não interessa para nós”, opina o ambientalista Everaldo Pastore.

A pasta ambiental destaca que o espaço oferece “grande potencial de uso público em virtude da proximidade com a Capital, pela ótima estrutura viária e pela intermunicipalidade dos parques”. Nesse sentido, quem pratica atividades esportivas argumenta que o local é propício tanto para a promoção do lazer quanto para a conscientização ambiental. Flávio Fideles, do grupo Canoa D’agua, lembra quando nos anos 90 praticava mountain bike e canoagem na região. “Era maravilhoso, desci o ribeirão João Leite de bóia e de caiaque na época, o Parque possui muitas trilhas. E uma das melhores era a trilha da onça, era uma descida na mata de aproximadamente 8 km de single track com muitos obstáculos”, rememora.

Os defensores de uma exploração mais ampla do parque citam que há outros ambientes que permitem a interação ambiental com práticas de lazer e esporte, um deles seria o Lago Paranoá em Brasília. Para André Luiz Marcelo da Cruz, do Caiaque Clube, como se encontra no momento a APA há mais riscos de contaminação por agrotóxico, queimadas e caça predatória de animais do que “xixi e vômitos” por turistas. “Quem polui os rios são os agrotóxicos, são as queimadas, são as divisões de terras e de APAS”, salienta. Ele acrescenta que os grupos defendem uma utilização sustentável do lago. “Levar o esporte da canoagem, que é um esporte olímpico, para mais atletas da sociedade goiana, por exemplo, para crianças carentes”, disse.

Contrários ao projeto de aumento da exploração de atividades econômicas nas áreas destacam que o lago foi planejado para fornecer água para região e não voltado para a atividade de lazer. “As águas desse parque são águas dormentes (não correntes). Isso significa dizer que se cair objetos e lixo, muitas algas se proliferarão”, causando “doenças de veiculação hídrica que podem ser transmitidas para toda a cidade”, disse Fabrício Rosa, ao Jornal Opção, após participar da audiência pública da Semad. “Estamos falando da água que todos nós bebemos”, pontuou.

Presidente da Associação para Recuperação e Conservação do Ambiente (Arca), a urbanista Maria Ester evidencia que, além das novas atividades nos parques, há a intenção de se permitir no local o parcelamento do solo e autorização de desmatamento com compensação ambiental. “A gente considera que o mesmo que faz na área urbana, ou seja, em área que já tem antropização, área que já se tem uma presença do ser humano ‘detonando’ a natureza. Na zona rural, como é o caso da área de amortecimento da represa do João Leite, a gente tinha que ter um uso mais restritivo”, explicou.

Segundo a especialista, caso se concretize a nova proposta para o local, isso irá descaracterizar o Parque como área de proteção, passando a ser um outro tipo de zona, sendo os riscos de impermeabilização do solo causar aquecimento, devastação e seca do lago.

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