Alunos que ocupam UFG prestam homenagem a colega morto pelo próprio pai

Em uma espécie de jogral, ocupantes leram um discurso em que lamentam a morte do “companheiro de luta” Guilherme Irish

Reprodução/YouTube

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Estudantes que permanecem ocupados no Campus Samambaia da Universidade Federal de Goiás (UFG) prestaram homenagem ao estudante Guilherme da Silva Neto, de 20 anos, morto pelo próprio pai na última terça-feira (15), em Goiânia.

Em uma espécie de jogral, os ocupantes leram um discurso homenageando o companheiro, mais conhecido entre eles como Guilherme Irish. “Guilherme foi assassinado. Guilherme é mais uma vítima do ódio fascista, alimentado pelo incremento da propaganda de um pensamento único, intolerante, que é imposto assustadoramente como resposta a qualquer livre manifestação popular”, falam em coro os manifestantes no vídeo.

Na gravação disponibilizada nas redes, os estudantes comentam também a repercussão nacional do caso e condenam as tentativas de se atribuir a tragédia ao posicionamento político do jovem, ou ainda ao movimento de ocupações. “Toma conta de nós a indignação e a repulsa com a manipulação do fato com o intuito de culpabilizar as ocupações pela sua morte.”

Na quarta-feira (16), mensagens de condolências tomaram as redes sociais por conta da barbaridade do crime. “Lamentamos profundamente que o discurso fascista de ódio tenha atingido amplos setores da sociedade, chegando às nossas casas, e que cause vítimas dentre os que lutam por uma sociedade mais justa”, diz uma das mensagens mais compartilhadas no Facebook, de autoria da página “Rebele-se Goiás”.

O envolvimento com movimentos sociais e a militância do estudante contra, entre outras coisas, a PEC 241/55 do teto de gastos públicos, OSs na Educação e pela legalização do aborto, teria sido a motivação para o crime. O engenheiro Alexandre José da Silva Neto, de 60 anos, matou o filho e cometeu suicídio logo depois.

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