Aluno que denunciou estupro na UFG se contradiz em novo depoimento à polícia

Estudante Daniel Jr. mudou detalhes do primeiro depoimento prestado, mas polícia afirma que continuará investigando o caso

Delegada Ana Elisa Gomes | Foto: Renan Accioly/Jornal Opção

Delegada Ana Elisa Gomes | Foto: Renan Accioly/Jornal Opção

O estudante Daniel Jr., única testemunha e autor da denúncia de um caso de estupro que teria acontecido no Campus II da Universidade Federal de Goiás (UFG), foi à sede da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) esta semana para prestar novo esclarecimento. Em entrevista ao Jornal Opção nesta quinta-feira (23/6), a titular de delegacia, Ana Elisa Gomes afirmou que o novo depoimento apresentou muitas contradições em relação ao primeiro.

“A mudança mais expressiva no novo relato é a de que ele teria avistado a vítima quando estava descendo as escadas do prédio da FIC [Faculdade de Informação e Comunicação]. Em primeiro depoimento ele havia dito que viu a vítima pela primeira vez no estacionamento da faculdade, de dentro do carro”, disse a delegada.

Daniel Jr. foi intimado a prestar novo depoimento à polícia depois que a delegacia teve acesso às imagens das câmeras de segurança do corredor da faculdade, que mostram que, dias antes da denúncia, o estudante virou a única câmera que filmava a entrada do prédio e do banheiro masculino, ou seja, a única que seria capaz de produzir imagens que comprovariam a denúncia feita pelo estudante.

Ainda segundo Ana Elisa Gomes, outros pontos que ficaram contraditórios entre o primeiro e o segundo depoimento do estudante. “Primeiro ele disse que teria visto a vítima em às 19h40 e agora ele afirma com toda certeza que foi às 19 horas. Então, em relação ao primeiro depoimento, que foi muito coerente, este já está cheio de contradições”.

O estudante Daniel não foi indiciado por falsa denúncia de crime e as investigações continuam. Esta semana já foram ouvidos dois alunos e dois seguranças da UFG que estava no local no dia denúncia. De acordo com a delegada, nenhum deles viu a suposta vítima e também não viram o autor da denúncia procurando por socorro, como ele disse que fez.

Quando questionado sobre o porquê de ter movido a câmera de segurança, Daniel disse em depoimento que queria mostrar alunos dentro da sala do diretório acadêmico que estariam pichando as paredes. A delegada, porém, desconfia da versão, pois a análise das imagens feitas até agora não comprovam essa versão.

“Vamos continuar com as investigações. Estamos reanalisando todas as imagens das câmeras, vamos falar com alunos que estavam no dia em que a câmera foi virada para comprovar essa história e ainda estamos esperando a análise da perícia em relação à calcinha encontrada no banheiro”, disse Ana Elisa.

“Eu não quero acreditar que alguém simplesmente inventaria uma história dessas. Não sei o que ele ganharia com isso. Até onde sabemos, ele não tem relação nenhuma com o Diretório Central dos Estudantes (DCE) ou qualquer movimento organizado dentro da universidade. Ele fez a divulgação pelo Twitter pessoal, tinha o nome e o rosto dele. Apesar das contradições e da falta de testemunhas, não posso descartar nenhuma vertente de investigação, pois é possível que exista uma vítima de estupro que não recebeu o devido atendimento “, arrematou a delegada.

Jornal Opção tentou contato com o estudante por meio de mensagem mas até a publicação desta reportagem não obteve resposta.

Relembro o caso

Por volta das 19 horas do última dia 14 de junho, um aluno do curso de Relações Públicas da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC) da UFG usou sua conta no Twitter para denunciar um suposto estupro dentro da universidade.

Ele contou que estava no estacionamento da faculdade quando viu um carro Volkswagen Gol preto deixar uma jovem, aparentemente dopada. Segundo o relato, ela estava com as roupas rasgadas e chorando.

Ao ligar o farol para ver melhor o que estava acontecendo, o rapaz conta que o motorista do carro fugiu e a jovem correu para dentro do banheiro. Quando entrou no banheiro, viu a jovem sem a parte de baixo da roupa, se lavando na pia. “Quando eu fui até ela, começou a pedir socorro e me bater, como se eu fosse fazer algo com ela. Estava em pânico demais”, contou.

O estudante então conta que saiu para pedir ajuda mas não encontrou nenhum funcionário da segurança ou qualquer pessoa que pudesse ajudar e por isso resolveu pedir ajuda através das redes sociais. Quando retornou ao banheiro, a garota tinha fugido e até a manhã desta terça ainda não foi encontrada ou identificada.

A delegada Ana Elisa esteve no Jornal Opção, na última quinta-feira (16), quando reiterou que, caso a vítima não fosse encontrada, não haveria mais como prosseguir com o caso. Fora o depoimento do aluno da UFG, uma calcinha encontrada no banheiro em que a mulher foi vista também poderia indicar a existência de um crime de estupro.

No entanto, a peça de roupa encontrada por um segurança da universidade foi encaminhada à perícia, que não constatou material genético.

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