Alta taxa de ocupação das UTIs não sinaliza flexibilização em Goiânia

Secretaria de Saúde analisa estudos e projeções para tentar desenhar previsões de flexibilização, o que não foi possível até o momento

A Secretaria Municipal de Saúde tem buscado ampliar a capacidade de assistência a pacientes com Covid-19, com a inauguração do hospital de campanha Célia Câmara, conhecida como Maternidade Oeste, e ampliação de leitos.  

Na unidade de campanha, foram abertos 40 leitos de UTI e 30 leitos de enfermaria destinados à Covid-19. No Hospital das Clínicas, o município tem mais 10 leitos de UTI e 17 leitos de enfermaria. Sendo que a taxa de ocupação hoje das UTIs gira em torno de 80% no HC, e de 75% no hospital de campanha.

“Ou seja, de 10 leitos no HC, 8 estão ocupados, e de 40 leitos no hospital municipal de campanha, 30 estão ocupados”, detalha o superintendente de Atenção à Saúde, Yves Mauro Ternes. Ele pontua que um dos indicadores para verificar a possibilidade de flexibilização é ocupação de leitos.

Vale lembrar que a prefeitura tem se debruçado em estudos para estabelecer qual é o indicador que será estabelecido como o limite de alerta para a ocupação dos leitos na capital. “Estamos estudando se ficará em 80% ou 90%”, detalha Ternes.

A prefeitura também aposta em uma ampliação da capacidade de realização de testes para monitoramento e elaboração de estratégias no combate à pandemia. Para tal, foi feito um convênio com laboratório  privado que permitiu com que a testagem fosse feita em pessoas com sintomas que procuram atendimento na rede pública.

“No início da pandemia o teste era feito somente em pacientes internados, ou seja, em casos mais graves. Hoje, pacientes com sintomas de síndrome gripal são testados para Covid-19”, explica Yves Mauro Ternes, ao enfatizar que isso diminui a subnotificação. “Mas algumas pessoas podem não procurar atendimento, por terem poucos ou sintoma algum. Então existe uma subnotificação pela própria caraterística da infecção”, acrescenta.  

Segundo o superintendente de Atenção à Saúde, uma forma de minimizar essa subnotificação é a realização de inquéritos sorológicos em profissionais de saúde e na população, o que também já está sendo feito pela secretaria, em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG). Os resultados dessa testagem serão apresentados ainda nesta quinta-feira, 4.

Flexibilização

Sobre a flexibilização, Yves Mauro Ternes esclarece que o cronograma divulgado na imprensa tratava-se de uma proposta apresentada por um vereador. Ele enfatiza que tanto a Secretaria Municipal de Saúde, quanto o Paço não realizaram quaisquer divulgação de cronograma. “Não divulgamos cronograma, apesar da pressão para que isso seja feito”, pondera.

“Nós vamos tentar estabelecer algumas previsões de data, baseados nos estudos e projeções que estão sendo realizadas. Até para que a população tenha segurança de quando algumas atividades possam ser retomadas”, aponta Yves, ao lembrar que São Paulo fez um cronograma e precisou recuar em menos de uma semana.

Por fim, o superintendente frisa que, quando a flexibilização for feita, a população precisa ter responsabilidade e não retomar os hábitos de antes da pandemia. “A população não deve voltar às ruas de imediato, todo mundo precisa ter uma visão diferente dos relacionamentos e da circulação”, observa ao ressaltar a importância das medidas de isolamento social, uso correto das máscaras e outras medidas de higiene.

“O poder público sozinho não é capaz de controlar a pandemia, assim como a população sozinha também não. É uma ação conjunta de todos os envolvidos”, conclui Yves.

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