Aliança Pelo Brasil se distancia de Bolsonaro, que ainda é seu presidente, e de se tornar apto para 2022

Descartado por Jair, partido que abrigaria a extrema-direita se vê distante de se viabilizar, mas idealizador mantém otimismo

Aliança pelo Brasil não tem nem um terço das assinaturas necessárias para formalização de um partido político - 15.abr.2020 - Luciana Amaral/UOL

Partido foi lançado em 2019 com pompa e direito a logomarca feita com cápsulas de armas de fogo | Foto: Reprodução

Um lançamento pomposo em novembro de 2019 – com direito a escultura para a logo do partido feita com cápsulas de diversos tipos de bala – foi o ponto de partida para o Aliança Pelo Brasil, tido por seus criadores como o “legítimo” partido conservador do País.

Expectativa: abrigar a candidatura de Jair Bolsonaro (até hoje sem partido) para a reeleição, depois de eleger incontáveis prefeitos e vereadores nas eleições municipais de 2018. Realidade: não conseguiu se viabilizar como partido para as eleições do ano passado e muito dificilmente participará da campanha de 2022.

O próprio Bolsonaro já declarou que a chance de formar a sigla “é zero”. Apoiador do projeto desde o início, o advogado Luís Felipe Belmonte, porém, afirma que o partido sai. Ele diz que não é de seu costume “parar no meio do caminho”. “Com muita gente também trabalhando nesse projeto para ser inclusive uma casa dos conservadores, não necessariamente o abrigo do presidente Bolsonaro.”

A aposta de Belmonte, vice-presidente do Aliança, é que os bolsonaristas que embarcaram no PSL junto com o presidente na eleição de 2018 não desejarão ficar no União Brasil —resultado da fusão com o DEM — nem acompanhar Bolsonaro para o partido que ele utilizar para participar no processo democrático de 2022.

A expectativa é que Bolsonaro opte entre PTB ou PP, com as apostas crescendo para esta última opção. “Muitos estão ansiosos, procurando por uma alternativa”, diz. Após as declarações e movimentos de Bolsonaro, o advogado também já não espera mais contar com ele – que, veja bem, consta como presidente do partido. E diz entender os reflexos que isso trará para o Aliança.

“O partido vai começar pequeno porque não terá a figura do presidente, que tem muito apoio. E, com o tempo, como a gente confia muito nessa cultura conservadora que nosso país tem, acreditamos que possa evoluir na sequência.”

Assinaturas
No site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Aliança, após quais dois anos, hoje está perto de um terço das 492 mil assinaturas necessárias para a criação de um partido.

Às cerca de 141 mil que já foram contabilizadas pelo Tribunal, Belmonte diz que ainda há outras 150 mil em processo de análise nos cartórios eleitorais. Mais 100 mil teriam sido coletadas no último mês, quando se intensificou novamente a coleta. “E com aproximadamente mais 50 mil que estão vindo de grupos evangélicos, a gente vai estar aí com 430 mil neste mês de outubro.”

O número baixo, segundo ele, é resultado da burocracia interna no Aliança. No estado do Rio de Janeiro, reduto da família Bolsonaro, o site do TSE registrava na sexta-feira cerca de 700 apoiadores —eram cerca de 300 no início da semana.

Segundo Belmonte, há 16 mil assinaturas no Estado, mas as elas não haviam sido despachadas corretamente, o que começou a ser feito recentemente. “E isso se reproduz em quase todo o País.” Na última semana, o número de “apoiamentos aptos” começou a crescer.

Pela lei, um partido precisa ser criado até seis meses antes do pleito para disputar uma eleição. Com isso, o aliança tem praticamente até o final de março do ano que ver para se viabilizar. A eleição do ano que vem é em 2 de outubro.

Fernando Neisser, membro fundador da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), acha que não só o Aliança, mas qualquer um dos partidos em vias de criação terá uma missão difícil para conseguirem estar aptos para a eleição de 2022. “Partido precisa estar criado, homologado até o final de março. Eu acho muito pouco tempo.”

* Com informações do portal UOL.

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