Alheios à recomendação do MP, vereadores saem em defesa do Nexus

Prestes a apreciarem projeto que suspende alvará do Gigante do Marista, vereadores afirmam que irregularidades devem ser comprovadas e pedem maior investigação

Vereadores Mizair Lemes Jr., Carlos Soares, Denício Trindade e Zander Fábio falaram ao Jornal Opção sobre a viabilidade do Nexus

Vereadores Mizair Lemes Jr., Carlos Soares, Denício Trindade e Zander Fábio falaram ao Jornal Opção sobre a viabilidade do Nexus

Está previsto para ser apreciado em breve no plenário da Câmara de Goiânia o projeto de lei de autoria do vereador Djalma Araújo (Rede), que suspende o Alvará de Construção da obra do Nexus Shopping & Business, no Setor Marista, concedido pela Prefeitura de Goiânia, devido à existência de “fortes indícios de irregularidades” no empreendimento.

A discussão sucede a recomendação feita pelo Ministério Público de Goiás para que a obra seja embargada, depois de verificadas pelo órgão irregularidades nos alvarás referentes ao megaempreendimento, bem como atestada a fragilidade nos estudos de impacto de vizinhança e de trânsito.

Alheios à ação civil pública ambiental, vereadores adiantaram em entrevistas recentes ao Jornal Opção,  que podem votar a favor do projeto do vereador Djalma, desde que comprovadas as irregularidades. Os parlamentares ouvidos pela reportagem avaliaram ser necessário uma análise mais profunda sobre a obra, visto “a sua importância para Goiânia”.

“Eu ainda não tive acesso à recomendação do Ministério Público, mas se tiver fundamento, devemos corrigir o que há de errado”, alegou o vereador Denício Trindade (SDD), em entrevista. Compartilha do mesmo posicionamento Mizair Lemes Junior, do PR. Para ele, é necessário, em primeiro lugar, averiguar a fundamentação apresentada no projeto pelo vereador Djalma, para posteriormente avaliar a matéria.

“Vamos analisar. Se tiver irregularidades, vamos tomar o melhor caminho, mas a cidade precisa de investimentos. Atravessamos um momento de crise e a cidade ganha com o Nexus, mas queremos que a cidade ganhe de uma maneira equilibrada. Eu acredito que a prefeitura sempre tem que incentivar novos empreendimentos. Qualquer obra, independente do capital, deve atender ao plano diretor, sendo atendido, seremos a favor”, pontuou Mizair.

Mais ponderado, o líder do prefeito na Casa, vereador Carlos Soares (PT), reforçou que a discussão deve ser baseada na legislação municipal e no Plano Diretor de Goiânia. “Não posso dizer que não quero o Nexus. Se a lei permite, tem que deixar… Ou mudar a lei”, ressalvou.

Além da fragilidade nos estudos que liberaram sua concessão, os vereadores entrevistados também parecem ignorar as previsões de impacto que o Gigante do Marista poderá causar, caso seja erguido. Representantes do Conselho de Urbanismo e Arquitetura de Goiás (CAU-GO), por exemplo, já adiantaram que a obra foge de qualquer definição de “cidade sustentável”, afetando a região do ponto de vista urbanístico e ambiental.

Em entrevista, o vereador Zander Fábio (PEN), reforçou o argumento de que o projeto necessita de fundamentação jurídica para ser aprovado, acrescentando que o empreendimento é um “divisor de águas” para Goiânia. Segundo ele, durante a CEI das Pastinhas, foram apresentadas pelo empreendedor as argumentações que garantiriam a viabilidade do Nexus. “Falo pelo Bloco Moderado, se não tiver indícios reais, se a legislação permitir, vamos votar favorável ao empreendimento. Quantas cidades não querem um Nexus?”, insistiu.

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