“Alguma coisa está errada nessa atuação”, diz Jayme Rincon sobre Caiado na majoritária marconista

Tucano comentou sobre as articulações em âmbito nacional que trouxeram o nome do democrata a retornar às possibilidades da chapa governista. Segundo ele, o governador é o detentor da palavra final

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Homem forte dentro da gestão marconista, o presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), Jayme Rincon, é categórico ao analisar o “fator Caiado” dentro do processo pré-eleitoral goiano. Ao Jornal Opção Online, o tucano disse na manhã desta sexta-feira (6/6) estranhar a forma de atuação do democrata, que já esteve junto à base governista, e recentemente manteve conversações com pré-candidatos da oposição.

Ronaldo Caiado visa deixar a Câmara dos Deputados para garantir uma cadeira no Senado, o que implica em modificações na majoritária e atinge diretamente os pré-candidatos a vice (José Eliton – PP) e ao Senado (Vilmar Rocha – PSD), pois um deles teria de abrir mão para comportar o democrata. “Alguma coisa está errada nessa atuação. Como que alguém que tem interesse em fazer parte do nosso projeto se reúne todo dia com nossos adversários?”, comenta Rincon.

Segundo ele, qualquer articulação de Ronaldo Caiado deveria começar por Goiás, o que, a seu ver, não tem ocorrido. “Não é porque é interessante para o nacional que o local não participaria”, analisa Jayme Rincon, sobre diálogos mantidos entre o governador Marconi Perillo e o pré-candidato à presidência pelo PSDB Aécio Neves, além de outras articulações que envolvem também o presidente do DEM nacional, senador José Agripino (RN).

Democratas e PSDB são aliados a nível nacional, sendo que o governador Marconi Perillo tem atuado de perto também sobre o processo relativo à campanha à presidência de seu partido –– tendo feito menção até sobre possíveis vices que sairiam de Goiás: o próprio Caiado ou o anapolino Henrique Meirelles (PSD).

Diante da forma como se dá a movimentação do democrata, Jayme Rincon considera a chance de o nacional impor nomes em Goiás como zero. “Pode vir o Aécio Neves, o Fernando Henrique Cardoso, qualquer pessoa, porque o Marconi tem a mesma estatura [nessas decisões]”.

O tucano ressalta que de fato Ronaldo Caiado é agregador de votos numa chapa, por ser “um grande parlamentar, um político de projeção nacional e com destaque em Goiás”, mas que mesmo com parte da base defendendo areaproximação, o democrata não esboçou qualquer sinal.

Outra questão destacada por Jayme Rincon diz respeito ao discurso adotado por Ronaldo Caiado, no sentido de que sua pré-candidatura, independente da chapa a que venha a pertencer, não será vinculada ao cabeça de chapa, ou seja, sua campanha será independente enquanto à busca por votos, por exemplo. “Caiado tem que chegar comprometido com o nosso projeto. Se ele tem toda essa força, que vá candidato solo pelo DEM”, encerra o presidente da Agetop.

Chapa marconista (pré) estabelecida

Presidente do PSDB de Goiás, Paulo de Jesus ressaltou à reportagem nesta sexta-feira que Marconi Perillo está inserido em todas essas conversações que envolvem as possibilidades de Ronaldo Caiado retornar à base governista e que quando o tucano fala em prazo até dia 30, é porque pela experiência política, sabe-se que cenários podem mudar. Paulo de Jesus pontua que o evento em Rio Verde, no último final de semana, em que José Eliton e Vilmar Rocha foram apresentados como os pré-candidatos à vice e ao Senado, representa a vontade da base e seus 14 partidos já confirmados.

“É preciso prudência nessa questão de formação da chapa, porque tem que se ater ao projeto, mas também ao apoio, por isso que o governador fala que a chapa só será fechada no final do prazo”, frisa.

Paulo de Jesus diz que realmente pode haver mudanças que levem Caiado a compor na majoritária governista, mas que essa possibilidade é a mesma de ele não compor. “Não há portas fechadas. Não tenho problema em falar sobre o retorno do Caiado, mas realmente, essas conversas são mais por conta do nacional.”

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