Alerta aos homofóbicos dos estádios: insultos rendem multas da Fifa

Com punições de até R$ 277 mil, entidade que comanda o futebol mundial começou a penalizar federações nacionais por cantos que ofendem a sexualidade alheia puxados por suas torcidas em jogos oficiais

Torcida do Chile, que fez bonito na Copa do Mundo de 2014, foi motivo de multa aplicada pela Fifa por insultos homofóbicos no ano passado | Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

Torcida do Chile, que fez bonito na Copa do Mundo de 2014, foi motivo de multa aplicada pela Fifa por insultos homofóbicos no ano passado | Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

Frequentar a arquibancada ou as cadeiras de um estádio, com a emoção de acompanhar o seu time ou seleção de seu país, é um dos momentos mais vibrantes para o fã do futebol. Nada como assistir a um jogo de perto. Mas, na segunda década do século XXI, passou da hora de a homofobia ser banida e combatida nas arenas pelo mundo.

E é isso o que a Federação Internacional de Futebol (Fifa) começou a fazer nesta quarta-feira (13/1). A entidade informou que aplicará multas em francos suíços — na cotação de compra de hoje o franco suíço vale R$ 3,96 — às federações argentina, chilena, hondurenha, mexicana, uruguaia e peruana por gritos e músicas homofóbicas entoadas por suas torcidas nos jogos disputados em 2015 válidos pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2018, que será realizada na Rússia.

O Chile, que receberá a maior multa até o momento, terá de pagar 70 mil francos suíços — equivalente a R$ 277,2 mil — à Fifa por insultos feitos nos coros puxados pela torcida chilena na partida Chile 2 x 0 Brasil disputada em Santiago em outubro de 2015.

A Argentina recebeu multa de 20 mil francos suíços — R$ 79,2 mil — por insultos praticados pela torcida do país contra os jogadores da seleção brasileira em jogo também das eliminatórias. O artigo utilizado do Código Disciplinar da Fifa é o 67, que trata da responsabilidade pela conduta do torcedor no estádio.

Partidas que a federação internacional classifica como de alto risco de atos discriminatórios são observadas de perto por agentes da Fifa. Das observações feitas no estádio, um relatório é enviado. Em um dessas descrições, a entidade analisou que as eliminatórias para a Copa do Mundo que acontecem na América do Sul são as que têm maior potencial para ocorrência de insultos homofóbicos.

De acordo com a Fifa, as punições financeiras são mais uma arma contra a discriminação, seja ela de qual origem e tipo for, para que essas práticas deixem de existir no futebol.

O Comitê Disciplinar da entidade analisa individualmente cada partida e os fatos relatados pelos observadores. São considerados o relatório com os dados apresentados pelo observador da Fifa e a postura adotada pela federação nacional para combater e punir os casos detectados.

Para o Comitê Disciplinar, somente as punições não alteram o comportamento de parte dos torcedores, que ferem “valores fundamentais” do futebol. A Fifa disse defender mensagens que inspirem a educação, a igualdade e o respeito “em todos os níveis do jogo”.

“Puto”

Um xingamento conhecido nas arquibancadas do México chegou ao Brasil com mais força durante a Copa do Mundo de 2014, mas já era conhecido pelos brasileiros com a participação dos clubes mexicanos na Copa Libertadores da América. O grito “puto”, que em português significa “bicha”, é feito para ofender o goleiro do time ou seleção adversária. Proibido pela Fifa, a prática homofóbica rendeu multa para a federação mexicana.

Mesmo assim, os insultos ganharam espaço no Brasil, como acontece nos jogos do Atlético Mineiro, no qual parte dos torcedores grita “bicha” quando o goleiro adversário cobra o tiro de meta. É como se chamar alguém de gay tornasse o agressor um heterossexual ainda mais machão. Será?

https://www.youtube.com/watch?v=tAHhgcIXH28

Conheça o artigo 67 do Código Disciplinar da Fifa

Art. 67 Responsabilidade pela conduta do espectador (torcedor)

  1. A associação mandante ou clube mandante são responsáveis pela conduta imprópria de seus torcedores, independente da análise de conduta culposa ou omissão culposa, e, dependendo da situação, pode ser punida. Sanções adicionais poderão ser impostas no caso de graves distúrbios.
  2. A Associação visitante ou o clube visitante são responsáveis por conduta imprópria entre o seu próprio grupo de espectadores (torcedores), independentemente da análise de conduta culposa ou omissão culposa e, dependendo da situação, pode ser punida. Sanções adicionais poderão ser impostas no caso de distúrbios graves. Torcedores ocupando o setor de visitantes de um estádio são considerados como simpatizantes da associação visitante, salvo prova em contrário.
  3. Conduta imprópria inclui a violência contra pessoas ou objetos, o uso de artefatos incendiários, lançamento de mísseis (rojões e sinalizadores), exibição de slogans ofensivos ou com conteúdo político, ou sob qualquer forma, a proferição de palavras ou músicas ofensivas, ou ainda a invasão do campo.
  4. A responsabilidade descrita nos parágrafos 1 e 2 também inclui jogos disputados em campo neutro, especialmente durante as competições finais.

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