Aldo Arantes: “Influência do poder econômico nas eleições é fator determinante da crise política”

Contra o financiamento de campanha, secretário da OAB afirma que País vive contradição, que cidadãos precisam raciocinar e deixar de “demonizar” figuras políticas

OAB

Secretário da OAB, Aldo Arantes declara apoio a Flávio Buonaduce, da OAB Forte. Possibilidade do ex-deputado federal fazer parte da chapa não foi confirmada | Foto: assessoria

Em Goiânia, declarando apoio ao pré-candidato da OAB Forte em Goiás, Flávio Buonaduce, o ex-deputado federal e secretário da Comissão de Mobilização para Reforma Política da OAB, Aldo Arantes, falou de questões políticas nacionais, como financiamento de campanha e o atual cenário nacional.

Comemorando a votação na última quinta-feira (17/9) do Supremo Tribunal Federal (STF), que declarou inconstitucionais as normas que permitem doação de empresas para campanhas eleitorais — o que chamou de “julgamento histórico para a OAB” –, Aldo explicou porque a Ordem, autora da ação, é contra financiamentos públicos e privados.

“A influência do poder econômico nas eleições é fator determinante na crise política que o País vive”, disse. Aldo alega que o financiamento distorce os princípios constitucionais de soberania popular, quando a constituição diz que o cidadão tem direito a um voto. De acordo com ele, o dinheiro distorce o poder popular. “Quem tem grana passa a ter uma representação muito maior do que a maioria da sociedade.”

O ex-deputado explica que os papéis se invertem, e a representação passa a ser a imagem de quem tem mais dinheiro. E assim a crise é gerada: uma representação política que não atende aos anseios da maioria da população e, por outro lado, permanece sendo o canal de corrupção eleitoral. “Empresa não é cidadão, não tem direito de voto e não tem direito de influenciar no processo eleitoral.”

Repudiando a postura do ministro Gilmar Mendes — a favor do financiamento de campanha –, que abandonou a sessão do STF, Aldo afirmou que o País está envolto a grandes contradições. “70% do povo brasileiro é contra o financiamento de campanha. Ao mesmo tempo, 70% do povo que estava na [Avenida] Paulista considerando o impeachment, também é contra.”

No raciocínio de Aldo, aqueles que são contra a presidente Dilma Rousseff (PT), contra a sua base política no Congresso, para serem condizentes com seus posicionamentos, deveriam ser a favor do financiamento de campanha — assim como são políticos de oposição à petista, como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. “Foi o presidente da Câmara, já mancomunado com o ministro Gilmar Mendes, que tentou impedir que tomassem medida em relação ao financiamento de campanha.”

Aldo pontuou ainda que no Congresso quem se diz defensor da ética votou a favor do financiamento, enquanto aqueles que são colocados como antiéticos votaram contra. “Tem que se definir quem é quem na politica”, disse. Ainda citando o Congresso, o secretário afirmou que a presidente não tem responsabilidade no que tange o financiamento de campanha — que, de acordo com ele, é o grande responsável pela crise política vivida no Brasil.

Demonização de políticos

Aldo Arantes comentou ainda o que chamou de falta de pensamento crítico da população. O secretário da OAB afirma que as pessoas demonizam certar figuras políticas, ao invés de pensarem. “Quero que as pessoas raciocinem, pensem por conta própria. Nem pela presidente Dilma, nem pelo Aécio. Que cada um formule o seu ponto de vista a partir de uma visão multilateral, e pare de ouvir só um lado. Esse é o caminho da democracia.”

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