Antônio Flávio garante que ação conjunta entre agricultores, UFG, o governo de Goiás e outras instituições, mostrando as fragilidades da lagarta, evitaram maiores danos

Helicoverpa em sorgo
Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

No final do ano passado um bichinho “miúdo” e devastador tirou o sono da classe de produtores de Goiás. A Helicoverpa armigera havia dado um prejuízo alto na Bahia, e o Estado de Goiás ficou amedrontado com a possibilidade de acontecer como aconteceu com os baianos: um prejuízo avaliado em R$ 1 bilhão.

A secretaria de Agricultura junto com diversas outras instituições começaram logo a realizar várias ações para discutir formas de segurar a lagarta. Diversas palestras foram realizadas na época, e em dezembro já tinham o cálculo estimado do prejuízo na casa dos R$ 600 milhões. O secretário de Agricultura, Antônio Flávio, disse ao Jornal Opção Online que, na verdade, a ação da lagarta ficou aquém das temidas expectativas que tinham inicialmente. Segundo Flávio não há uma estimativa do valor total do prejuízo da Helicoverpa, garantindo que o alarde feito ano passado fez com que os agricultores ficassem preparados frente à lagarta. “Foi feita uma ação conjunta entre agricultores, a Universidade Federal de Goiás (UFG), o governo de Goiás, e foram mostradas suas fragilidades, evitando um dano maior”, explicou.

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No dia 27 de novembro de 2013, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) acatou o pedido do governo de Goiás e declarou emergência fitossanitária para a lagarta Helicoverpa armigera no Estado. A helicoverpa resiste à maioria dos inseticidas usados contra ela, e com o estado de emergência, produtores em Goiás poderiam adquirir outros inseticidas que não são permitidos no Brasil, como o benzoato de emamectina, um inseticida produzido na China. Segundo Antônio Flávio, entretanto, não foi registrado nenhum pedido de importação para o Estado de Goiás.

De acordo com o secretário, o agricultor conseguiu controlar a praga ficando atento à ação da lagarta na fase inicial, quando, segundo o secretário, ela se torna mais suscetível a alguns princípios ativos. “Alguns inseticidas são eficientes em algumas fases de crescimento da lagarta. Ela não é totalmente imune em todas as fases. Quando está quase adulta, o inseticida é menos eficiente.”

E esse é o maior problema enfrentado, já que a identificação correta da helicoverpa só é possível fazer na fase adulta, como explicou o secretário. “Às vezes o inseto que o produtor identificou no inicio como helicoverpa nem era de fato a lagarta. A identificação inicial é muito difícil, quase impossível”, disse o secretário, lembrando ser este um grande problema, já que o Ministério das Agricultura  só libera mais inseticidas depois que prova-se prova é que Helicoverpa. “E isso só acontece quando ela já está na fase adulta e já comeu tudo”, afirmou Antônio Flávio.

Desta forma, o setor de agricultura está preocupado com o que irá acontecer quando se iniciar o período chuvoso este ano. Por isso um grupo em Goiás tem se reunido com o Ministério da Agricultura pedindo prorrogação do estado de emergência fitossanitária. “Os entendimentos levam à conclusão que continuaremos no estado de emergência”, garantiu o secretário na última semana, e explica: “Vamos dizer que começa período chuvoso, começam as plantações e o ataque dessa praga. Até o ministério autorizar a importação do inseticida, ela já destruiu tudo.”

Sem afrouxar a preocupação, o secretário garante que estão em alerta. “Mas existe ainda uma apreensão grande, já que é uma praga relativamente novo que não temos grande experiência. Ela é persistente, tolerante”, sustentou, lembrando que no Estado estão sendo realizadas pesquisas da praga. “Nós conseguimos 2 milhões junto à Fapeg que estão sendo destinados à pesquisa que já está em andamento. Vamos colher os frutos e sabermos melhor como enfrente as Helicoverpa em breve”, garantiu.