Ainda sem partido, Bolsonaro deve se filiar ao PP

Os setores do PP mais resistentes a Bolsonaro estão na Bahia, Paraíba e Pernambuco. Eles consideram que o presidente da República tem menos chance de ser reeleito, pois está mal nas pesquisas de intenção de voto

Há um ano das eleições presidenciais, o presidente Jair Bolsonaro já deixou claro que é candidato, mas ainda segue sem partido. Desde a desfiliação do PSL, em 2019, Bolsonaro promoveu e foi alvo de diversas investidas. Tentou fundar o Aliança Brasil; entabulou conversas com o PRTB, do vice-presidente Hamilton Mourão; chegou a ser cogitado para o Patriota, ao qual o senador Flávio Bolsonaro (RJ) se filiou.

Nesta semana, o presidente interino do Progressistas, o deputado federal André Fufuca (MA) afirmou que a filiação do presidente Jair Bolsonaro ao partido está “90%” acertada. “As conversas estão boas, está avançado bem. Muito poucos estados são contra, mas nada demais”, disse Fufuca, que assumiu o comando da sigla em agosto, após Ciro Nogueira assumir a Casa Civil do governo Bolsonaro.

O deputado ressaltou que, caso Bolsonaro se filie mesmo, todos os integrantes do PP terão que apoiar a reeleição dele ao Palácio do Planalto em 2022. Inclusive filiados do Nordeste, os que mais resistem à entrada do presidente. “Estaremos 100% alinhados com ele. Todo mundo vai ter que apoiar”, afirmou o dirigente, acrescentando que essas questões já estão sendo discutidas com os diretórios estaduais contrários à filiação de Bolsonaro.

Arthur Lira

Apesar de demonstrar resistência à entrada de Jair Bolsonaro no PP, o presidente da Câmara, Arthur Lira, diz que não irá atuar para barrar a entrada do mandatário no partido.

Líder do centrão e deputado pelo PP de Alagoas, ele afirmou a aliados que, hoje, cerca de 90% do partido quer o presidente da República na sigla e, por isso, não será ele quem vai impedir a filiação.

Bolsonaro está cada vez mais próximo de fechar a aliança com o PP. Como condição, pediu para escolher os candidatos que disputarão uma vaga no Senado pela legenda em 2022.

O presidente do PP e ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, se comprometeu com a condição apresentada pelo mandatário. Lira resistia a ter Bolsonaro no partido por temer prejuízo na tentativa de se reeleger como presidente da Câmara em 2023. O PP espera aumentar o número de eleitos na Câmara, no Senado e como governadores com a chegada de Bolsonaro.

Os setores do PP mais resistentes a Bolsonaro estão na Bahia, Paraíba e Pernambuco. Eles consideram que o presidente da República tem menos chance de ser reeleito, pois está mal nas pesquisas de intenção de voto. Por isso, preferem se aliar nos estados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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