“Como presidente, ficarei neutro, dando condições para os dois lados”, disse Lissauer Vieira

Presidente da Alego falou sobre formação de base, reforma administrativa e economia do Estado

"Ainda há clima de instabilidade e insegurança no Governo", diz Lissauer
Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, Lissauer Vieira (PSB), em conversa com o Jornal Opção, disse que o governador Ronaldo Caiado (DEM) precisa trabalhar na Casa para consolidar sua base. Para ele, é fundamental dar autonomia para a pessoa que for articular isso.

De acordo com Lissauer, o secretário de Governo, Ernesto Roller, e o líder na Alego, Bruno Peixoto (MDB), estão encarregados disso e devem ganhar mais autonomia para fazê-lo. “Já eu, como presidente, tenho que ter uma neutralidade, sem puxar nem para um lado nem para o outro, dando condições tanto à oposição quanto à base”, disse.

Sobre a Reforma Administrativa do Governo, o presidente disse que aguarda o texto chegar à Alego. “Estamos abertos para receber a proposta. Mas ela não foi apresentada ainda, não sei se está havendo dificuldades internas ou se o governador aguarda o fim dessa instabilidade da base. O que tenho a dizer é que estamos abertos e vamos votar. Se for boa para o Estado, será aprovada pela maioria”, avaliou.

Orçamento impositivo

Outra matéria que tem sido alvo de embates e está no centro da discussão sobre formação de base é a Proposta de Emenda Constitucional (PEC), de Talles Barreto (PSDB), que sugere o retorno do orçamento impositivo a 1,2%. Sobre isso, Lissauer defendeu a matéria e disse que se trata de responder a um desejo dos parlamentares, além de ser coerente com o discurso de independência defendido por ele à época da eleição da presidência da Casa.

“Foi feito um acordo para 0,5%, mas os deputados entenderam que essa alíquota não era a ideal. Eu defendo o orçamento impositivo porque a Alego é importante e os deputados defendem municípios e precisam dessas emendas. São 1,2%, sobram 98,8%. Esse dinheiro não é para nós, é para levar recursos para os municípios, recapeamento, ônibus escolar e mais. Acho que isso é justo”, justificou.

Segundo ele, esse é o sentimento da maioria, que entende que essa alíquota não traz despesas extras para o Governo, mas investimentos na Saúde e na Educação. “Nós estamos mais próximos dos municípios e sabemos das especificidades, por isso as emendas”, acrescentou.

Gestão Caiado

Ainda sobre as contas do Estado, Lissauer se mostrou solidário aos impasses econômicos. “Sabemos que por si só o Governo não vai conseguir equilíbrio e precisa de ajuda do Governo Federal, dadas as despesas. É verdade que isso tem demorado, mas é o único que pode ajudar, principalmente, em obras de infraestrutura”, disse.

Para o deputado, Caiado focou muito em Brasília no início do mandato para resolver as questões financeiras, mas agora chegou o momento de ficar mais em Goiás. “Tem que continuar a articulação com o Governo Federal, mas sem perder o foco no Estado, trabalhando para enxugar a máquina como for possível. Não adianta esperar só pelo Planalto e as coisas aqui não andarem”, pontuou.

Previdência

Para conter os gastos e aumentar a arrecadação, uma medida que vem sendo defendida pela Secretaria de Estado da Economia é a adesão imediata à Reforma da Previdência Federal. A economia prevista anteriormente, no entanto, reduziu. É possível, também, que os Estados possam fazer ajustes na proposta do Governo.

Haja vista que essas alterações devem passar pela Alego, Lissauer disse que está aberto. “Sabemos que é um assunto polêmico, mas é uma questão que hoje está em pauta no Brasil e há uma necessidade pela reforma da previdência. Vamos esperar a decisão nacional e pautar de uma forma muito responsável. Discutir amplamente e com muita maturidade para chegar a um consenso se essa demanda chegar para o Estado”, considerou.

Autonomia de departamentos

Sobre a reforma administrativa na Casa, o presidente disse que o foco é na redução de gastos. “Ela exclui 13 secretarias extingue 90 cargos, além de criar a figura do chefe de gabinete, que não era regulamentada”, disse.

Segundo ele, a Alego deve ter um aumento de verbas devido a uma Lei Federal que estabelece que 75% da verba de gabinete é da Câmara Federal. Segundo ele, com o aumento deste ano, será possível regulamentar o cargo de chefe de gabinete, que já existe, sem onerar a Casa.

De acordo com o que relata, isso será compensado com a extinção de cargos. Além disso, em uma segunda fase da reforma, Lissauer pretende dar mais autonomia para departamentos da Alego. “Hoje a assembleia ainda é muito presidencialista, quero tirar um pouco dessas responsabilidades concentradas no presidente e distribuir, atribuindo a cada área o ofício do cargo que ocupa, de maneira mais independente”, explicou.

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