Federação afirma que categoria está se manifestando contra a politicagem. A suspensão dos trabalhos começa na próxima quinta-feira (23/10)

A Polícia Federal (PF) informou que policiais de todo o país irão paralisar atividades por 72 horas entre a próxima quinta-feira (23/10) e sábado (25). O movimento será inciado na quarta-feira (22), com protestos em frente às unidades da PF. A reivindicação dos policiais é referente a uma promessa do governo federal quanto à modernização de carreira da Polícia e o reconhecimento das atividades realizadas por todos os servidores.

De acordo com a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), os agentes, escrivães e papiloscopistas (agentes que fazem identificação por meio das impressões digitais) se sentem “castigados” pelas operações anticorrupção que realizaram. Segundo a federação, o estopim para paralisação é a recente Medida Provisória 657, que teria passado pelo período de negociações entre a Fenapef e o governo e ignorado ainda as propostas de modernização. A categoria afirma que a medida, publicada no Diário Oficial da União no último dia 14, beneficiou somente o cargo de delegado.

Alterando a Lei 9.266/1996, que reorganiza as classes de carreira da PF, o texto determina que os delegados “são responsáveis pela direção das atividades do órgão, e exercem função de natureza jurídica e policial, essencial e exclusiva do Estado”. A medida ainda sustenta que o ingresso na carreira de delegado é exclusivo para bacharéis em direito, além de exigir a comprovação de três anos de atividade jurídica ou policial no ato da posse. Essas mudanças vão de encontro com as propostas que estão no Congresso Nacional, relacionadas a alterações na estrutura de carreiras da PF e que atendem reivindicações de agentes.

Segundo o presidente da Fenapef, Jones Borges Leal, a medida, ao invés de reconhecer os avanços da PF, volta no tempo para criar um cargo político dentro da polícia. “Isso torna o órgão mais dividido e burocrático. Estão recriando a polícia fascista da ditadura militar, que não funciona, mas é fácil de controlar pelas indicações dos cargos de chefia”, afirma.

A federação ainda atesta que “o diferencial da PF sempre foi trazer investigadores dos mais diversos ramos acadêmicos, algo que tornou a investigação científica e objetiva”. O presidente Jones Leal sustenta que os policiais estão “sendo engolidos pela burocracia”, e pede: “Queremos critérios objetivos de eficiência para as chefias, independente do cargo, e o fim da politicagem dentro da PF.”