Agenor Mariano nega favorecimento em decisão de cancelar construção de moradias

Questionado se o fato de ter lotes no bairro interferiu no processo, secretário de Habitação disse que decisão foi técnica

Agenor Mariano depõe na CEI da Herança | Foto: Francisco Carvalho

O ex-vice-prefeito e atual secretário de Planejamento Urbano e Habitação (Seplanh), Agenor Mariano (PMDB), esteve na Câmara de Vereadores nesta quarta-feira (17/5) para depor na Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investiga as contas públicas da Prefeitura de Goiânia nos últimos oito anos, a CEI da Herança.

Ele foi questionado principalmente sobre a atuação de seu sucessor na Secretaria de Planejamento, Sebastião Juruna, e das denúncias de que teria se beneficiado em caso de um loteamento para servidores municipais, no Jardim Mariliza.

Inicialmente, as perguntas para o peemedebista se concentraram nas afirmações do ex-secretário na CEI de que eles nunca se encontraram, e na denúncia de que Juruna haveria pedido o pagamento de R$ 760 mil a uma empresa supostamente de fachada, do marqueteiro Ademir Lima.

Questionado pelo vereador Jorge Kajuru (PRP) se havia se encontrado com Juruna, Agenor confirmou que foi procurado por ele em seu gabinete logo quando assumiu o cargo: “Juruna me pediu para que fosse efetuado o pagamento. Não me recordo o nome da empresa, mas lembro que era algo em torno de 700 e poucos mil reais, e lembro que me recusei”. Segundo ele, a alegação para justificar o repasse era de que a empresa teria prestado serviço de confecção de escrituras para a prefeitura.

Agenor Mariano também foi confrontado quanto às denúncias de que ele teria sido pessoalmente beneficiado com o cancelamento da construção de moradias para servidores no Jardim Mariliza, já que tem lotes no local que poderiam sofrer desvalorização imobiliária.

Ao se justificar, afirmou que o único motivo do cancelamento era a alegação da própria Caixa Econômica Federal de que a destinação real dos apartamentos seria o mercado imobiliário, porque apesar de haver cadastro de 4 mil interessados, apenas cerca de 10% conseguiria atingir os requisitos do banco e da União para conseguir o financiamento.

“A Caixa me afirmou que essas unidades acabariam na mão do mercado. Dos 4 mil, haveria grandes chances de eu não conseguir nem 400 compradores reais, porque não é um apartamento que o servidor vai ganhar, ele vai financiar pela Caixa com subsídio do Minha Casa Minha Vida e do poder executivo. Então se eu construísse as 4 mil unidades, elas acabariam vendidos para quem não precisa. A prefeitura não pode subsidiar algo assim”, alegou.

Influência

Kajuru também o questionou sobre sua relação com o diretor operacional da Comug, Ormando Pires, “Considerado o maior marajá da Comurg, que já chegou a receber R$ 51 mil”, afirmou o vereador. Agenor negou tê-lo indicado para a companhia e disse que, quanto foi consultado por Paulo Garcia sobre a nomeação dele, se opôs: “Nem é do meu interesse ter parente na prefeitura”, ironizou.

Também foi ouvido na CEI o ex-secretário de Finanças de Paulo Garcia, Cairo Peixoto. Ele criticou abertamente o ex-prefeito que, afirmou, chegou a pedir que ele usasse recursos da Secretaria Municipal de Trânsito (SMT) e do Sistema Único de Saúde (SUS) para completar a folha de pagamento, o que poderia ser considerado uma pedalada fiscal. Cairo disse que fez um diagnóstico em 90 dias da situação financeira da prefeitura, mas que ele não foi sequer considerado por Paulo. Ele disse ainda que o ex-prefeito só pagava a folha líquida e deixava de lado outras obrigações trabalhistas.

O ex-secretário também disse que o atual ocupante da pasta, Oseias Pacheco “não tem coragem de mostrar a condição da prefeitura”. Aproveitando a fala, o presidente da CEI, Zander (PEN), o questionou se ele não considerava que Oseias pratica crime de prevaricação, ao omitir a real situação das contas, constatação com a qual Cairo concordou.

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