Agência Mundial Antidoping pede banimento da Rússia da Rio-2016

Segundo relatório, governo do país e serviço secreto russo manipularam resultados de testes de doping durante as Olimpíadas de Inverno Sochi-2014

O relatório divulgado pela Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) nesta segunda-feira (18/7) confirmou a participação do governo russo no encobrimento de casos de doping de atletas do país. Segundo o documento, o ministro de Esportes da Rússia, Vitaly Mutko, estava diretamente ligado ao programa de dopagem de atletas nas Olimpíadas de Inverno de Sochi em 2014.

De acordo com a investigação liderada pela Wada, o Ministério dos Esportes “dirigiu, controlou e coordenou a manipulação dos resultados de atletas, ajudado pelo FSB [o serviço secreto russo]”. Numa metodologia conhecida como “fazer desaparecer testes positivos”, o FSB mantinha um freezer para ajudar a trocar amostras de resultados. O relatório alerta que todos os esportes foram afetados.

O comitê executivo da Wada pediu, com base nesse documento, que todos os atletas da Rússia sejam impedidos de competir nas Olimpíadas e Paralimpíadas de 2016. O comitê ainda recomendou que os governantes russos sejam vetados em eventos esportivos internacionais.

“A Wada pede ao movimento esportivo para impor as medidas mais duras possíveis para proteger esportistas limpos na Rio-2016”, declarou o presidente da Wada Craig Reedie.

Por fim, a Wada sugere que a Fifa abra investigações contra o ministro dos Esportes russo. O suposto organizador do esquema é também o coordenador da Copa do Mundo de 2018.

A investigação foi iniciada após as declarações do ex-diretor do laboratório antidoping de Moscou, Grigory Rodchenkov, ao New York Times de que 15 medalhistas russos de Sochi tiveram amostras de urina que continham substâncias proibidas trocadas por outras “limpas”.  Rochenkov declarou que tudo havia sido feito sob as ordens do Ministério dos Esportes.

Repercussão

O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, declarou que o relatório mostra “um ataque chocante e sem precedentes à integridade do esporte e dos Jogos Olímpicos” e, por conta disso, “o COI não hesitará em tomar as medidas mais duras disponíveis contra qualquer indivíduo ou organização implicados”.

Uma reunião de emergência em Lausanne foi marcada para a próxima terça-feira (19/7) e, de acordo com o COI, nela serão estudadas as alegações e as primeiras medidas serão tomadas. A entidade pode tomar decisões e sanções provisórias relacionadas aos Jogos Olímpicos 2016.

Para a Agência Antidoping dos Estados Unidos (Usada), o documento não deixa dúvidas a respeito do nível de corrupção no esporte russo. A Usada pediu uma reação “a nível internacional”.

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