Afinal, quem é a verdadeira oposição em Goiás?

No debate CBN/O Popular, Daniel Vilela diz que Ronaldo Caiado esteve na base do governo por mais de uma década

Fotos: Reprodução/Facebook

A rigor, existem cinco chapas de oposição a José Eliton (PSDB) — já que o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) indeferiu a candidatura do PCO, encabeçada por Alda Lúcia. São elas: Daniel Vilela (MDB), Kátia Maria (PT), Marcelo Lira (PCB), Ronaldo Caiado (DEM) e Weslei Garcia (PSOL).

No segundo bloco do debate promovido pelo jornal “O Popular” e a rádio CBN nesta quinta-feira (20/9), em que jornalistas perguntaram aos candidatos, chamou a atenção a discussão entre Daniel Vilela e Ronaldo Caiado sobre quem é a verdadeira oposição em Goiás.

A pergunta, feita pelo jornalista Caio Henrique Salgado ao emedebista, questionava o fato de que os partidos que estão na chapa de Daniel Vilela, como PP e PRB, faziam parte do governo até pouco tempo atrás.

“O partidos que estavam na base do governo fizeram isso [mudaram de lado] por convergência de ideias. Eles acreditam na necessidade de uma mudança”, respondeu o governadoriável do MDB.

Ronaldo Caiado, que foi escolhido pelo jornalista para comentar, também fez parte da resposta de Daniel Vilela. “Caiado indiciou José Eliton, indiciou Demóstenes Torres e apoiou Marconi Perillo. Ele é partícipe disso.”

Por sua vez, o candidato do DEM argumentou que ações não necessariamente definem quem é oposição, mas sim a sociedade, que, segundo ele, já fez essa escolha. “Sou oposição a José Eliton e ao presidente Michel Temer”, disse o senador.

Em sua réplica, Daniel Vilela lembrou, mais uma vez, que Ronaldo Caiado fez parte do atual governo por mais de uma década. “O discurso chega com 16 anos de atraso. Durante todo esse tempo, Caiado ficou cego, surdo e mudo. Agora, é oportunista. Caiado também não é oposição ao Michel Temer. Todas as votações dele foram orientadas de acordo com o pensamento do governo. Até mais do que eu, que sou do mesmo partido.”

Legitimidade

De fato, Ronaldo Caiado apoiou a candidatura de Marconi Perillo em 1998 e indicou José Eliton para a vice em 2010. Nas eleições de 2014 — quando foi candidato ao Senado aliado ao MDB —, o democrata realmente se tornou oposição, mas o emedebista acerta quando diz que o seu partido mantém a coerência e sempre esteve do outro lado.

Em outras palavras, tanto Daniel Vilela quanto Ronaldo Caiado são oposição. Contudo, o primeiro, que o é há mais tempo, tem mais legitimidade para reivindicar o posto.

Kátia e Weslei

Já Kátia Maria e Weslei Garcia, que naturalmente recebem menos destaque devido ao desempenho nas pesquisas de intenção de voto, tentam colocar PSDB, MDB e DEM no mesmo bolo e buscam se apresentar como oposição a todos eles — sempre ressaltam a “diferença de projetos”.

Nacionalmente, é verdade que tais partidos integraram o governo Temer. Mas, no Brasil, sempre há contradições regionais. E não dá para colocar PSDB e MDB, por exemplo, lado a lado em Goiás.

Marcelo Lira não participa dos debates porque seu partido não tem a representação mínima exigida de cinco parlamentares na Câmara dos Deputados.

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