Advogados goianos se mobilizam em defesa da Justiça do Trabalho

Para presidente da Agatra, declaração de Bolsonaro sobre extinção do ramo mostra desconhecimento sobre o tema

Foto:Reprodução

Após declaração polêmica do presidente Jair Bolsonaro (PSL), no início do mês, que avalia extinguir Justiça do Trabalho, ou fundi-la à Justiça Federal, advogados trabalhistas goianos programam grande mobilização em defesa dos direitos sociais e desse ramo do Poder Judiciário.

O ato será realizado na próxima segunda-feira, 21, em frente ao Fórum Trabalhista da Capital, no Setor Bueno, às 8h30. A Associação Goiana de Advogados Trabalhistas (Agatra) prepara uma declaração, para a ocasião, com os mitos e verdades sobre a Justiça do Trabalho no Brasil.

Já a Associação Goiana da Advocacia Sindical Obreira (Asind) se reúne nesta quinta-feira, 17, às 19 horas, na sede do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas no Estado de Goiás (Stiueg). No encontro, será discutida a criação do Fórum Goiano em Defesa dos Direitos e da Justiça do Trabalho.

Ao Jornal Opção, a presidente da Agatra, Maria Madalena Melo Martins Carvelo, afirmou que defender a extinção da Justiça do Trabalho mostra o desconhecimento do presidente em relação ao tema.


Presidente da Agatra, Maria Madalena Melo Martins Carvelo | Foto: Reprodução

“Eles estão falando sem conhecer a causa, além de repetir mitos como o de que a Justiça do Trabalho só existe no Brasil. Ela está presente em muitos países. Outro equívoco diz que o Brasil protege em excesso o trabalhador, isso não é verdade, nosso ramo não tem lado, apenas deflagra a lei”, diz Maria Madalena.

Para a presidente da Agatra, o ramo trabalhista promove a igualdade social, sendo essencial à cidadania. “A Justiça Trabalhista fez e faz muito em prol de trabalhadores e empregadores, reparando o que está errado, e garantindo direitos que não foram pagos”.

Sobre uma possível fusão com a Justiça Federal, Maria Madalena, pontua que a mudança tiraria a celeridade do ramo, uma vez que a justiça comum já estaria “abarrotada” de casos. Ela também questiona quem realizaria os julgamentos, pois seria necessário contar com juízes especialistas. “Teriam que capacitar todos os juízes para lidarem com todas as especificidades do nosso ramo”, explicou.

Para o advogado trabalhista, Marco Aurélio Teófilo a justiça trabalhista está diretamente ligada à existência de direitos e sua extinção corresponde a uma tentativa de apagar esses direitos. O profissional pontuou que as mudanças implementadas pelo governo federal já causaram reflexos no número de processos, que reduziu pela metade.

“A nova ideologia quer reduzir os direitos trabalhistas e a Justiça Trabalhista atua na garantia desses direitos. Essa é a grande questão. No Brasil, os empresários não sabem trabalhar dentro do liberalismo, querem apenas lucrar e nosso trabalho e defender que a lei seja observada”, afirmou Marco Aurélio.

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