Advogados denunciam uso de recursos da OAB-GO para propaganda pessoal do presidente

Membros da categoria alegam que seccional vem promovendo “uma farra com o dinheiro da advocacia goiana”

As duas páginas inteiras de conteúdo publicitário que estamparam a edição de terça-feira (19/6) do jornal O Popular provocaram revolta entre advogados goianos. Eles alegam que não houve responsabilidade e transparência por parte do presidente Lúcio Flávio de Paiva e da atual diretoria da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) com os recursos utilizados para custear o encarte de propaganda.

“Estão promovendo uma verdadeira farra com o dinheiro da advocacia goiana. Nada justifica a utilização de recursos da Ordem para esse tipo de publicidade. Está muito evidente a finalidade eleitoreira da publicação, promoção pessoal de custo bastante elevado. É um absurdo!”, critica o advogado eleitoralista Julio Meirelles.

Ex-secretário-geral da OAB-GO, Julio Meirelles promete tomar providências e levar o assunto a Brasília. “Vou me reunir com alguns advogados do nosso grupo para discutirmos a possibilidade de questionar formalmente essa ocorrência no Conselho Federal da OAB”, informa.

A indignação também é do advogado criminalista e pré-candidato à Presidência da OAB-GO, Pedro Paulo de Medeiros. “É aviltante que enquanto inúmeras subseções padecem por absoluta falta de autonomia – para não dizer da falta de estrutura básica para funcionamento – a gestão da Seccional se revele tão perdulária. A grande maioria dos colegas se endivida para ficar em dia com a anuidade para, depois, ver esse dinheiro gasto com marketing. Ora, o site e as redes sociais da OAB-GO existem para isso, para comunicar a advocacia do que a Seccional faz. Esse gasto é obviamente eleitoreiro”, observa.

Para Pedro Paulo, os advogados em início de carreira necessitam maior atenção e suporte que, em seu entendimento, poderiam ser oferecidos pela OAB-GO, se não estivesse investindo de forma tão pesada em marketing. “Houve a crise das vacinas e também a descoberta vergonhosa de que a Casag estava cobrando dos advogados a mais do que a Unimed de fato cobrava. Agora, a OAB-GO escancara sua falta de moderação com gastos desnecessários. Esse grupo que aí está disse que veio para mudar. Mudou mesmo. Para muito, muito pior”.

O advogado Jean Carlo Rosa, especialista em Direito Civil e Processual Civil, reforça a crítica de que houve promoção pessoal do presidente Lúcio Flávio. “Li e reli as duas páginas e não encontrei outro motivo para a publicação, a não ser a promoção pessoal do presidente, que é pré-candidato declarado à reeleição. Não há notícia, fato novo ou conteúdo relevante que justifique a publicidade institucional, apenas a pessoal de quem a fez”, lamenta.

O descontentamento é também corroborado pelo advogado João Paulo Martins de Araújo, especialista em Direito Médico e Direito Civil. “Eu pergunto: esses gastos já estão no portal da transparência da seccional? Eu respondo: não costumam colocar. Para que serve então esse dito o portal da transparência se não nos informam?”

Para o advogado municipalista Oberdan Matos, a atual gestão está demonstrando falta de seriedade e compromisso com a classe. “É preciso que haja mais compromisso com a utilização dos recursos de que dispõe a Seccional. O dinheiro que ali está pertence aos advogados, não ao presidente ou aos diretores”, salienta.

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