Durante painel na Bienal de São Paulo, advogada eleitoralista de Goiás fala sobre baixa representatividade feminina na política

Nara Bueno falou sobre motivos pelos quais mulheres têm dificuldades para avançar em representatividade no contexto do poder exercido predominantemente por homens brancos e de meia idade

Durante painel da Bienal do Livro de São Paulo, realizado na manhã desta quinta-feira, 10, a advogada eleitoralista Nara Bueno defendeu a adoção de ações afirmativas para corrigir a baixa representatividade das mulheres na distribuição de cargos eletivos e de poder. Neste ano o evento é realizado de forma virtual, devido à pandemia de Covid-19.

Autora do livro Pequeno Manual das Mulheres no Poder, publicado neste ano, Nara Bueno e outras mulheres falaram sobre os motivos pelos quais as mulheres têm dificuldades para avançar em representatividade no contexto do poder exercido predominantemente por homens brancos e de meia idade.

Nara Bueno apresentou dados que coletou em sua pesquisa do mestrado interdisciplinar em Direitos Humanos, pela Universidade Federal de Goiás (UFG), no qual problematiza essa baixa representatividade. Na Câmara dos Deputados, de 513 cadeiras, 77 são ocupadas por mulheres exercendo mandato. No Senado Federal, dos 81 mandatos, apenas 10 são de mulheres.

“Vejam como é diminuta nossa representação. Política é uma orientação coletiva”, disse Nara Bueno, ressaltando que o Congresso Nacional representa a Nação inteira, todo o poder político. “O Congresso Nacional faz leis para todos nós. Se vivemos em uma democracia representativa, onde estão nossas representantes? Alguma coisa está desconectada entre a população e aqueles que nos representam”, observou a advogada.

Cota

Nara Bueno, que representou Dra. Cristina no processo de candidatura à Prefeitura de Goiânia nas eleições municipais deste ano, apontou a contradição de as mulheres terem uma cota e destacou que o texto da lei diz que “30% serão destinados ao outro sexo”.

“Nós, enquanto cultura, apelidamos de cota das mulheres ou cota feminina. Embora sejamos maioria do eleitorado e da população, somos uma cota pequenininha”.

Para Nara, em vez de reservar 30% das candidaturas, deveriam ser reservadas 50% das cadeiras. “Não somos mais de 50%? Essa é uma das possibilidades. Os dirigentes partidários são hoje no mesmo perfil do nosso Congresso Nacional, homem branco, rico, de meia idade. Quem toma a decisão são esses dirigentes. Precisamos fazer ações afirmativas pontuais e temporárias para corrigir essa situação”, propôs.

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