Advogada das supostas vítimas de pai de santo aguarda pedido de prisão

Mariana Costa afirma que já esperava que religioso tentasse desacreditar as vítimas em depoimento

Foto: Divulgação

Mariana Costa, advogada das supostas vítimas de estupro do pai de santo e professor universitário de 61 anos, Oli Santos da Costa, confirmou ao Jornal Opção que representa 18 mulheres, mas que apenas 15 denunciaram. Sobre o segundo depoimento do possível autor dos crimes, nesta terça, 2, ela diz que ele precisou retornar, pois, após sua oitiva, na segunda, 1º, outras duas reclamantes prestaram queixas.

Questionada sobre o pedido de prisão preventiva que ela teria solicitado a delegada Cássia Sertão, da 2ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), a advogada afirma que a responsável pela corporação já teria passado a demanda a polícia.

Caso

Noticiado em primeira mão pelo Jornal Opção, o caso, conforme explicado pela advogada no último dia 26, envolve um pai de santo, Oli, que utilizava de supostas entidades para obter vantagens sexuais. “Fazia as mulheres acreditarem que a ascensão no terreiro, com vantagens espirituais, viria com atos sexuais com as entidades dele e até com ele. As entidades, inclusive, diziam para se aproximarem dele”.

Segundo a defensora, todas que faziam o tratamento sexual precisavam deles [as entidades] para aflorar a espiritualidade, que estava ligada à sexualidade.

Conforme ela, se condenado, Oli poderá ser enquadrado nos crimes de violência sexual mediante fraude. Em alguns casos, que envolveram menores [duas] ou que houve força bruta, trata-se de estupro. A defesa requereu o mandado de prisão.

Os crimes, segundo uma fonte que falou ao jornal, mas solicitou que sua identidade fosse preservada, ocorriam há quatro anos, desde a fundação do terreiro da religião kimbanda.

Primeiro depoimento

No primeiro depoimento, o líder religioso não negou as relações sexuais e disse que eram consensuais e que as mulheres eram amantes. A advogada afirma que a liberdade que elas [as supostas vítimas] deram foi viciada.

“A manifestação da vontade foi viciada, porque ele se utilizava da entidade. Se fosse com ele, ou se não fosse pela religião, não aconteceria. Ele utilizou da fé das pessoas, da inocência das meninas. Fez elas acreditarem que ele era a figura de um monge”.

Para ela, essas alegações já eram esperadas e ela já tinha avisado às suas clientes. “E espero mais, ainda. Geralmente, nesses casos, eles [aqueles que praticam esse tipo de crime] gostam de desacreditar as vítimas, no sentido que eram mulheres fáceis. Desmoralizar, mesmo. Já esperava, infelizmente”.

Apesar disso, ela vê um ponto positivo. “Por outro lado, ele não negou as relações com as vítimas. E isso, para que se faça justiça, é algo muito bom”.

Foi tentado contato com a delegada Cássia Sertão, mas ela ainda tomava o depoimento de Oli Santos, no momento de conclusão desta matéria.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.