Adriana Accorsi rompe com ala do PT em Goiás e cria nova tendência do partido: “Fica longe, velha guarda. Chora mais”
15 outubro 2026 às 13h18

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Em plena reta final da campanha de reeleição de Lula da Silva, o PT em Goiás enfrenta uma cisão interna com direito a rompimento de alas, criação de novos movimentos e reestruturação da coordenação do candidato petista no estado. Presidente estadual do partido, a deputada federal reeleita Adriana Accorsi, que agora assume a coordenação de campanha de Lula em Goiás, decidiu criar uma nova corrente interna e romper com o que chamou de “velha guarda” da sigla.
Conforme fontes ouvidas pela reportagem, Adriana reuniu em uma comunidade no Whatsapp os grupos de correntes e tendências do partido e comunicou a decisão. “Estamos criando a nova tendência do PT. Quem quiser, vem comigo”, diz a deputada federal, em prints obtidos pelo Jornal Opção.
“Força Popular será nossa nova corrente do PT, longe dessa velha guarda”, escreveu.
Em nota enviada ao Jornal Opção, Adriana diz que “mais uma vez” tem de anunciar “que um grupo da velha guarda” do partido permanece “incomodado com a liderança feminina”. “Se movimenta para me tirar da direção do partido desrespeitando o protagonismo de uma mulher que, além de ter sido a parlamentar de esquerda mais votada para a Câmara Federal historicamente, também foi eleita como dirigente partidária com 95% dos votos”. Veja a nota na íntegra ao final da matéria.
No grupo interno, a parlamentar ainda acusa “pessoas do PT” de terem mentido para o presidente nacional da legenda, Edinho Silva, de que ela “estava doente” e não conseguiria fazer a coordenação do chefe do Executivo federal.
“Ele me disse que pessoas do PT aqui [de Goiás] mentiram a ele que eu estava doente e não iria conseguir coordenar a campanha do Lula em Goiás. Olha eu doente aí. Só lamento por vocês sem voto”, disse, enviando, em seguida, imagens de sua participação em atos do PT.
Ainda segundo apurado pela reportagem, a citada “velha guarda” mencionada por Adriana seria uma ala do partido que mantém atritos com a direção estadual do partido já há algum tempo, integrada por nomes como Delúbio Soares, a mesma que, anteriormente, teria insistido para que fosse ela a candidata ao governo do Estado.
Em um dado momento da conversa, um integrante do grupo questiona Adriana sobre a movimentação, e ouve como resposta: “Chorem mais”.
Veja a nota na íntegra:
“NOTA À IMPRENSA
FORÇA POPULAR SURGE DENTRO DO PT SOB COMANDO DE ADRIANA ACCORSI
Minha decisão de seguir na luta e no trabalho pelo povo goiano na Câmara dos Deputados provou ser acertada e estou muito honrada e muito grata pelos mais de 177 mil votos que recebi, uma prova de confiança, que me transformou na mulher de esquerda e do meu partido mais votada da história em Goiás. A condução do processo eleitoral também levou o PT a ampliar a votação para as bancadas nos legislativos estadual e federal. Entre 2022 e 2026, o PT-GO cresceu em todos os cargos disputados no estado – para governador, deputados federais e estaduais. O candidato a governador ganhou 46% mais votos do que o candidato ao executivo estadual em 2022.
A votação total do partido para a bancada federal subiu 30% e 45% na estadual. Mantivemos duas cadeiras na Câmara Federal. Eu mesma fui de 96.714 para 177.103 votos (+83%), sendo a segunda mais votada do estado, e Rubens Otoni ampliou sua votação de 83.539 para 101.902 votos. Também passamos de três para quatro cadeiras na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, com Fabrício Rosa, Antônio Gomide, Kátia Maria e Bia de Lima. Sendo que Fabrício Rosa cresceu de 20.432 para 81.540 votos, como o segundo mais votado para a Alego.
No entanto, mais uma vez, tenho de anunciar que um grupo da velha guarda do meu partido, que já tentou me forçar a desistir da reeleição a deputada federal, permanece incomodado com a liderança feminina, e se movimenta para me tirar da direção do partido desrespeitando o protagonismo de uma mulher que, além de ter sido a parlamentar de esquerda mais votada para a Câmara Federal historicamente, também foi eleita como dirigente partidária com 95% dos votos. Minha resposta para eles mais uma vez é simples: não.
Estou criando a nova Força Popular, ligada aos movimentos sociais e sindicais. Com ela, seguimos firmes junto com o presidente Lula e do lado do povo. Nossa luta tem história, tem força e, acima de tudo, tem o reconhecimento do povo goiano. Temos orgulho dessa caminhada de enfrentamento ao conservadorismo e de defesa das bandeiras em favor da classe trabalhadora e dos direitos da população e, principamente, de defesa dos direitos da mulher. A força do pensamento progressista e da juventude são a vertente para o futuro.
Adriana Accorsi”




