Adolescentes realizam ato contra o fim de quase 5 mil contratos do programa Jovem Cidadão

Na manifestação organizada espontaneamente pelos jovens, eles pediam a Caiado revisão do cancelamento do convênio com Renapsi

Foto: Luiz Phillipe Araújo

Após o governo de Goiás anunciar o fim do contrato com a Rede Nacional de Aprendizagem, Promoção Social e Integração (Renapsi), jovens aprendizes que participam do programa organizaram uma manifestação na frente do Palácio Pedro Lúdovico Teixeira nesta sexta-feira, 1º. O ato foi marcado por palavras de ordem, que anunciavam a todo o momento: “queremos nossos direitos”.

São cerca de 4,8 mil adolescentes de 14 a 18 anos atendidos pelo programa. Os jovens trabalham em órgãos estaduais, possuem carteira assinada e recebem meio salário mínimo para aprender uma função, com direito a cursos de formação. Conforme a determinação do Governo, o convênio com a instituição será encerrado no dia 14 de março.

O Jornal Opção esteve presente na manifestação e escutou a opinião dos adolescentes afetados pela decisão do governo goiano. Para a jovem Myllena Garceis, 16, a medida é injusta e coloca em risco o futuro dos participantes do projeto.

“Essa medida vai colocar quase cinco mil jovens na rua. O risco é de ficarmos desempregados. Essa ação irá afetar famílias, são vários que ajudam no sustento das suas casas”, disse.

“Aprimoramento do projeto”

Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social (Seds), o programa “não será extinto, mas sim aprimorado”. O secretário de Desenvolvimento Social, Marcos Cabral, informou, por meio de nota, que será realizada uma nova licitação e que a decisão atende a uma recomendação da Controladoria Geral do Estado (CGE-GO) e Procuradoria-Geral do Estado (PGE-GO).

A Secretaria informou ainda que, em breve, irá iniciar um processo de recadastramento dos jovens beneficiados, que deverão passar por uma nova seleção. Segundo o secretário, o edital de licitação está em fase de finalização e será lançado nos próximos dias.

Entretanto para Myllena Garceis, a adolescente que protestava enfrente ao Palácio, esperar por um novo processo de seleção não é compreensível. “Nós já passamos por seleção, esperamos tanto e essa vaga ser jogada no lixo? Quebra-se um contrato de dois anos. Eu fiz planos”, desabafa Myllena.

Foto: Luiz Phillipe Araújo

Segundo a aprendiz, seu cargo representava “uma nova oportunidade”. Ela relata que as experiências vividas em cerca de seis meses de contrato possibilitaram conhecer um novo mundo, novas experiências que não teria tido sem o programa.

Ela finaliza dizendo que o Governo deveria rever o cancelamento pensando nas famílias afetadas, segundo a estudante, não há garantia de quanto tempo eles ficarão parados.

A insegurança de Myllena é reforçada pela diretora da Renapsi em Goiás, Ana Kárita Rosa. Ela afirma que a grande preocupação é encontrar um caminho para preservar os 4,8 mil contratos vigentes.

“Acreditamos na intenção do governo de aprimorar o programa e nos colocamos à disposição para traçar esse caminho juntos. Mas um processo licitatório não é feito do dia pra noite. Com o encerramento no dia 14 de março, os contratos de 4.800 jovens aprendizes serão interrompidos e os objetivos do processo de formação desses adolescentes serão frustrados”, comentou.

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