O estudante de 16 anos, autor do ataque à Escola Estadual Sapopemba que deixou uma adolescente morta e outras duas feridas, na zona leste de São Paulo, pediu para assistir às imagens do atentado durante depoimento à polícia e até questionou as autoridades sobre a repercussão do ato. Antes de cometer o crime, ele se automutilou ao desenhar uma suástica na panturrilha e fez postagens de cunho neonazista e racista nas redes sociais.

O atirador desenhou a suástica na panturrilha como uma forma de ganhar fama e destaque dentro de um grupo do qual fazia parte no Discord, onde anunciou o plano de cometer o ataque à escola. Isso seria uma maneira de se afirmar em relação aos outros. Ele ainda teria desenhado uma suástica no rosto e divulgado a imagem em rede social, o que o levou a perder seguidores e um possível contrato para gravar uma música.

No depoimento, o adolescente, inclusive, deu várias versões sobre a motivação do ataque, desde bullying que sofria com provocações e xingamentos pelo fato de ser homossexual até o ódio de um professor e dois alunos. A vítima fatal, Giovanna Bezerra da Silva, de 17 anos, não era uma das alunas com quem tinha desavenças, conforme o depoimento. 

Foi incentivado 

Antes de atirar nas vítimas, o adolescente tinha iniciado no banheiro da escola uma transmissão pelo aplicativo Discord, rede social bastante usada pelos jovens. Uma das suspeitas da polícia é a de que o adolescente tenha sido incentivado a cometer o atentado e recebido instruções sobre como usar o revólver calibre 38 no grupo do qual fazia parte. Ele pegou a arma usada no crime escondido na casa do pai, no fim de semana que antecedeu o ataque.

A polícia também investiga uma série de IPs de internet de integrantes do grupo do qual ele fazia parte. A principal dificuldade nas investigações é que eles estão localizados fora do Brasil, estratégia comum entre usuários da dark web para dificultar o trabalho da polícia.

O grupo do qual o adolescente fazia parte já estaria sendo investigado em inquérito que tramita em outro departamento da Polícia Civil de São Paulo, com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) do Ministério da Justiça, que apura a atuação de grupos extremistas na internet.

No 69º Distrito Policial (Teotônio Vilela), há três inquéritos relacionados ao atentado. Um deles é só o ato infracional em si, o ataque cometido na escola. O segundo diz respeito à responsabilidade do pai do adolescente, o motoboy Marcos Tuci, de 51 anos, pela arma usada na tragédia. O terceiro trata da formação de organização criminosa, com eventual participação de outras pessoas no episódio ocorrido na instituição de ensino.

Adolescente é internado 

O advogado Douglas Oliveira, que assumiu a defesa do adolescente nesta terça-feira, 24, após a saída de Antonio Edio, informou que foi decretada a internação e agora será solicitado um acompanhamento psiquiátrico do menor. A Polícia Civil pediu à Justiça a quebra do sigilo telefônico do adolescente para investigar a participação de terceiros. 

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