Acusado de maior abate de felinos já registrado pelo Ibama é preso e multado no Pará

Júlio César da Silva foi multado em R$ 494 mil por matar, mutilar e manter animais silvestres em depósito

Polícia encontrou cabeças, patas e peles cortadas de felinos, como a onça pintada, e aves confinadas em gaiolas | Foto: Alysson Souza/ICMBio

Polícia encontrou cabeças, patas e peles cortadas de felinos, como a onça pintada, e aves confinadas em gaiolas | Foto: Alysson Souza/ICMBio

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou o caçador Júlio César da Silva, que já havia sido preso em flagrante por crimes ambientais e posse ilegal de armas. Buscas realizadas por policiais militares e agentes ambientais resultaram numa operação que registrou a maior quantidade de grandes felinos caçados no país.

Para os agentes ambientais, o crime está relacionado ao tráfico de fauna. Júlio César foi preso junto com outras duas pessoas no último dia 26, na cidade de Curionópolis, no Pará, durante uma investigação que apurava a posse ilegal de armas. O acusado armazenava cabeças, crânios, couros e patas dos animais silvestres abatidos em um refrigerador. Os policiais também apreenderam no local espingardas e munições.

Pelo menos 20 animais foram abatidos: 16 onças, duas suçuaranas, uma jaguatirica e um jacaré. Todos foram levados para sede do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) na Floresta Nacional de Carajás (PA). Exames genéticos serão realizados para determinar as espécies e concluir a investigação. Após o encerramento da pericia será definida a destinação final das apreensões

Um dos detidos relatou em depoimento à polícia que tinha o costume de caçar e que a caça era de um amigo. Porém, para o perito criminalista e as outras autoridades, o caso está ligado a tráfico ilegal de animais silvestres. “Temos um padrão de corte de cabeça, de couro com cabeça até a pata, temos patas, temos testículos, que nos induz a crer numa possível ação de biopirataria aqui na região. Além dos crânios dissecados, que servem como troféu”, disse o perito.

As multas aplicadas a Júlio César somaram R$ 494 mil, sendo que R$ 460 mil foram a totalidade de três autos de infração por matar, mutilar e manter animais silvestres em depósito e o restante (R$ 34 mil) pela apreensão de sete aves silvestres no local.

Em nota, o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho (PV), afirmou estar chocado com o caso e lembrou sobre o perigo de extinção de algumas espécies e a importância de se proteger a biodiversidade. Confira, na íntegra:

“Estou chocado com as imagens daquela que foi considerada pelo Ibama como a maior quantidade de grandes felinos caçados já encontrada em uma operação desde a criação do Instituto. O tráfico de animais silvestres é um crime que atinge a cada um de nós, pois fere nosso direito a um meio ambiente equilibrado. O perigo de extinção da onça pintada aponta, de forma dramática, para a necessidade urgente de aumentarmos, em quantidade e qualidade, a proteção de nossa biodiversidade.

O Ministério do Meio Ambiente entende que essa proteção passa, necessariamente, pelo fortalecimento da estrutura de fiscalização do Ibama e do ICMBio, e pela conscientização, através da educação ambiental. Trabalhamos nesse sentido, de forma prática e objetiva, mas guiados pela convicção de que homem, planta e bicho são irmanados na natureza.”

(Com informações da Ascom do Ibama)

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