Acidente de helicóptero da Polícia Civil completa dois anos e laudo continua inconcluso

Tragédia vitimou cinco delegados e dois peritos em maio de 2012. Profissionais voltavam de uma reconstituição do crime conhecido como “chacina de Doverlândia”

Foto: Benedito Braga

Foto: Benedito Braga

Neste dia 8 de maio de 2014 completam dois anos do acidente de helicóptero da Polícia Civil goiana que causou a morte de cinco delegados e dois peritos em uma fazenda próxima à cidade de Piranhas (400 km da capital). O laudo permanece sem conclusões. Os policiais investigavam uma chacina que vitimou sete pessoas em Doverlândia, e o helicóptero caiu quando voltavam para Goiânia. Aparecido de Souza Alves, que confessou a autoria de todos os assassinatos, também morreu no acidente.

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidente Aeronáuticos (Cenipa) informou ao Jornal Opção Online que o acidente ainda está sendo investigado. O órgão sustenta que não trabalha com prazos e que não há previsão de conclusão do laudo. Segundo a assessoria de imprensa, o Centro não visa a punição, mas sim somente a segurança do voo, tentando encontrar as falhas para que não aconteça novamente.

De acordo com o órgão, a inconclusão do laudo não atrapalha as investigações da Polícia Civil. O delegado Norton Luiz sustenta o mesmo fato, entretanto afirma que para a conclusão total do inquérito o laudo deve ser finalizado. “O inquérito por parte da Polícia Civil já terminou, mas temos que esperar o laudo para fechá-lo completamente.”

Contrato entre Estado e empresa de manutenção

Na última terça-feira (6/5) a promotora Marlene Nunes Freitas Bueno propôs uma ação contra o Estado de Goiás e a empresa Fênix Manutenção e Recuperação de Aeronaves Ltda., responsável pela manutenção do helicóptero que caiu com os sete integrantes da Polícia Civil. A promotora pretende impedir a prorrogação de contrato de prestação de serviços, que encerrou em 2 de maio deste ano. Marlene Nunes requisitou, em caráter liminar, que seja determinada a suspensão do processo administrativo que prorroga o contrato. Se a prorrogação já ocorreu, a promotora requisita que a execução do contrato seja suspensa até o julgamento final da ação.

Um inquérito instaurado pela promotora no mês do acidente apurou que o Estado firmou contrato com a empresa para a execução de serviços de manutenção, fornecimento de peças, componentes e acessórios, além de inspeções periódicas em três helicópteros de uso das Polícias Civil e Militar e do Corpo de Bombeiros. Pelo contrato, o Estado deveria pagar o valor fixo de R$ 202.500 pelo serviço técnico-operacional , podendo variar até R$ 540 mil, relativos a peças, componentes e outros serviços. Assim, o valor total anual do contrato poderia chegar a R$ 2,97 milhões.

Entretanto, a promotora explicou que a empresa Fênix participou do processo de licitação ciente de que suas condições não satisfaziam as exigências do contrato, apresentando inconformidades que poderiam causar uma manutenção fora dos padrões mínimos de segurança. Além disso, a empresa ainda assinou o contrato um dia após ter sido notificada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) da suspensão de suas atividades.

Chacina de Doverlândia

A cerca de 400 km de Goiânia, uma fazenda no município de Doverlândia foi palco de uma chacina que chocou o país no dia 28 de abril de 2012. Aparecido Souza Alves, de 22 anos, assassino confesso do crime, matou sozinho (segundo inquérito da PC) sete pessoas em uma fazenda. A motivação do crime seria uma tentativa de assalto.

Lázaro Oliveira Costa, de 57, o filho dele, Leopoldo Rocha Costa, de 22, o caseiro Heli Francisco da Silva, de 44, o casal Joaquim Manuel Carneiro, de 61, e Miraci Alves de Oliveira, de 65; o filho deles Adriano Alves Carneiro, de 22, e sua noiva de Adriano, Tâmis Marques Mendes da Silva, de 24, tiveram as gargantas cortadas profundamente, quase até a coluna.

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