Ação leva esperança para pacientes da Covid e alivia tensão de equipe médica do HC

O Geriatra paliativista Ricardo Borges é coordenador do grupo que criou ação humanizada que tem como foco melhorar ambiente hospitalar

Uma ação de comunicação do Hospital das Clínicas (HC-UFG) visa amenizar a aflição de pacientes internados com Covid-19. Diante das medidas para de isolamento de quem foi acometido pelo coronavírus, a equipe médica colocou em prática ações de visam tornar mais leve o ambiente hospitalar para pacientes permanecem por semanas sem contato direto com seus familiares.

Ao acompanharem o sofrimento desses pacientes, uma equipe formada por terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, psicólogos e médicos decidiram colaborar com ideias que reaproximasse os isolados do mundo exterior. Entre as contribuições realizadas no grupo, foi criado o Jornal Aconchego, com notícias selecionadas, passatempos, piadas e receitas; correio elegante; mensagens, fotos e vídeos de familiares e amigos.

Além do informativo, as refeições passaram a levar mais do alimento para o corpo. Junto com a comida, os pacientes também recebem bilhetes com mensagens de esperança. Uma forma de tentar minimizar o isolamento.

O coordenador do grupo, o geriatra paliativista Ricardo Borges, contou ao Jornal Opção que a ação surgiu como uma forma de lidar com uma angústia que não é exclusiva dos pacientes, mas que também atinge equipe médica. “O isolamento fez com que a gente também ficasse incomodado com o modo como estávamos sendo obrigados a trabalhar. Isso começou a gerar mais sofrimento ainda, porque é como se a gente não tivesse como lidar com a angústia do paciente, como se não houvesse nada que pudéssemos fazer para ajudar a sair dessa situação de vulnerabilidade”, contou o médico.

O médico avalia que cada paciente se sente vulnerável, pois está enfrentando medo do desconhecido. “Quando comecei a cuidar de pacientes com Covid, isso começou a me angustiar muito e eu levei a ideia para uma assistente social. Não foi uma ideia nossa, essa ideia já existe. Todos os hospitais estão tendo que se adaptar de alguma forma, porque a demanda está em todos. Todos que atendem Covid, tem um paciente vivenciando essa angústia”, relata.

Ricardo faz questão de ressaltar que não é o autor do projeto e que todas as ideias que compõem a ação foram construídas em equipe. “Foi uma contribuição em conjunto. Todo mundo deu uma ideia. Cada um contribui do seu modo. É um time de comunicação”, destacou.

Tensão no dia a dia

Desde que iniciaram os primeiros casos da Covid-19, profissionais de saúde convivem diariamente com a doença e estão expostos ao risco de contaminação. Apenas em Goiás, mais de 1.500 trabalhadores que atuam no enfrentamento da doença na saúde já foram infectados. Ricardo explica como foi a preparação das equipes para lidar com o vírus.

“Quando eu comecei a ajudar no plano de contingenciamento do Covid no Hospital das Clínicas, precisamos fazer treinamento em todos os funcionários do hospital. São mais de 2.000 funcionários, médicos tem mais de 600. A gente treinou bastante gente”, lembra.

“Quando eu ia conversar com os médicos e falar sobre o treinamento, eu falava exatamente isso, que era perceptível esse medo de adoecer, transmitir a doença para as pessoas que a gente ama e, um terceiro medo, o de não saber se seremos capazes de fazer o que precisa ser feito”, fala Ricardo. “Acho que lidar com esse medo é encontrar coragem, aonde quer que ela esteja”, completa.

Para enfrentar essa rotina ele conta como acredita que a situação precisa ser encarada. “Eu acredito que cada um precisa encontrar um sentido, um significado para isso. É muito fácil você se questionar. É uma oportunidade de aprendizado única para o profissional. Claro que cada um de nós, que estamos passando pela pandemia, estamos tendo esse aprendizado. Para o profissional de saúde, o aprendizado é duplo, o pessoal e o profissional”, disse.

Para garantir o bem-estar das equipes, o Hospital das Clínicas oferece atendimento psicológico e psiquiátrico para todos os profissionais do hospital. Mas, de acordo com Ricardo, a ação de comunicação também tem ajudado bastante a reduzir o estresse da rotina de enfrentamento.

“[A ação tem amenizado] Tanto para os pacientes quanto para nós. Fazer algo que traga um pouco mais de esperança para o paciente talvez faça tão bem pra nós quanto para eles. A sensação é de mostrar que estamos fazendo nosso melhor”, avaliou.

 

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