Perdas emblemáticas e repentinas vêm para reforçar o que deveria ser uma redundância: é preciso saber viver

Marília Mendonça: morte aos 26 anos, de forma trágica e repentina | Foto: Reprodução

Uma cantora e compositora talentosíssima, reconhecida no meio pela música que fazia e que chegou ao auge muito nova. Marília Mendonça, como tantos outros artistas, agora, virou estrela muito cedo.

Na vida vigiada a qual nos condicionamos – e com a qual colaboramos, inclusive –, ela fez sua última postagem, na rede Instagram, já dentro do avião em que perderia a vida: era uma brincadeira entre expectativas e realidades.

Com uma agenda de shows em Minas Gerais neste fim de semana, ela colocou um vídeo – bem trabalhado, diga-se – brincando com as delícias da gastronomia do Estado: o queijo canastra, o feijão tropeiro, a cachaça artesanal. Delícias, mas que estão ao alcance de todos os paladares. A realidade, porém, era a comida de avião, um “marmitex” que ela degustava na poltrona da aeronave, enquanto seguia para cumprir compromissos.

O avião caiu. As primeiras notícias vindas da própria assessoria da cantora davam alívio, comunicando que todos os ocupantes teriam sido resgatados com vida. Era a expectativa. Infelizmente, não foi a realidade. Apesar do corpo da aeronave ter ficado relativamente conservado, sem sinais de explosão – o que aumentava a esperança –, ninguém sobreviveu.

Escrevo este texto ainda nos primeiros momentos após a confirmação da morte da cantora. A repercussão que isso terá ainda não dá para ter certeza, mas ocupará quase todo o noticiário do fim de semana e os dias a seguir. Como ocorreu com Cristiano Araújo, outro nome da música sertaneja nascido em Goiás e que também perdeu a vida precocemente em um acidente, mas rodoviário.

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Aos fãs, fica a perplexidade e a tristeza. À família e aos amigos próximos, um luto dos mais dolorosos. E a todos, a certeza que deveria ser uma redundância: é preciso saber viver e se ocupar do que é realmente importante. A vida é um sopro ou, como escreveu Gonzaguinha – outro que se foi cedo demais, também numa rodovia –, “a vida da gente é um nada no mundo, é uma gota no tempo que nem dá um segundo”.

Não custa escrever e ler essas palavras para indicar isso para si mesmo mais uma vez.