“A política não tem ordem de chegada, é um trabalho de merecimento”

Pré-candidato a prefeito de Trindade, o vereador Marden Júnior (Patriotas) chega ao final da pré-campanha fortalecido pelo apoio do atual prefeito Jânio Darrot (PSDB) e por um trabalho de articulação que conseguiu unir diversas forças políticas, grupos  religiosos e segmentos da sociedade. “É preciso que tenhamos igualdade de oportunidade, seja evangélico, católico, espírita, jovem, adulto, idoso”, afirma.

Marden Júnior (Patriotas) é pré-candidato a prefeito de Trindade Foto: Fernando Leite

Prestes a finalizar seu primeiro mandato, e de completar 30 anos, o vereador e ex-secretário de Habitação Planejamento Urbano e Regularização Fundiária do município de Trindade, Marden Júnior (Patriotas) dá mais um passo importante na sua carreira política e vai disputar a Prefeitura de Trindade, com o apoio do atual prefeito, Jânio Darrot (PSDB).

Nesta entrevista, ele conta detalhes da articulação que o viabilizou pré-candidato da base, fala sobre como está a costura de novas alianças e defende dar sequência, se eleito, a linha desenvolvimentista da atual administração, da qual fez parte. Ele também fala sobre os possíveis reflexos do caso da investigação sobre as atividades da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe) na política da cidade.

Marden é formado em Educação Física, com duas especializações na área, e finaliza outra em Gestão em Políticas Públicas pela UFG.

O sr. é muito jovem e já está com uma projeção importante na política de Trindade, vai disputar a Prefeitura com o apoio da base do prefeito Jânio Darrot.

Fui eleito (na época pelo Progressistas) já na primeira eleição que disputamos, fui o quarto mais votado. Logo nos dez meses que eu estava na Câmara, o prefeito Jânio me convidou para a Secretaria de Habitação, Planejamento Urbano e Regularização Fundiária. Foi uma oportunidade muito grande que tive de conviver com a gestão pública, de conviver, diretamente, com a entrega de resultados para nosso povo. Foi onde eu realmente me encontrei neste cenário político: fazer gestão, entregar resultados para a comunidade, em áreas que estavam carentes há muito tempo. A regularização fundiária foi uma delas, foram mais de 30 ações, com audiências públicas, que gerou como frutos em torno de 3 mil documentos.

Esse trabalho de regularização contemplou todos os bairros?

Foram contemplados todos os bairros, os que não finalizaram – a pandemia diminuiu o fluxo do cartório, do qual dependemos para fazer o registro das escrituras –  estão bem encaminhados. Sempre fiz questão de visitar as famílias, uma por uma, ia aos sábados, domingos. Tínhamos setores aqui, como o Maria Eduarda, com mais de 30 anos, que não tinha água, asfalto, escritura. Quando chegamos na Secretaria, corremos atrás, conseguimos colocar a rede de água e, neste meio tempo, já fomos abrindo os processos de regularização fundiária. Entregamos também o asfalto, além da água e das escrituras. 

Visita a moradores durante processo de regularização fundiária Foto: Ascom

Como o sr. avalia a gestão Jânio Darrot na Prefeitura?

Eu sou aqui de Trindade, sempre morei aqui. O Jânio modernizou o jeito de fazer política, ele trouxe, realmente, a gestão para dentro da política de Trindade. A cidade era uma antes e agora é outra, depois do Jânio.  Antes, era uma cidade onde as pessoas dependiam sempre de favores para conseguir algo em Saúde, vagas em creche. Sem falar da infraestrutura, que era muito precária. Antes do Jânio entrar, nós tínhamos 7 mil alunos nas escolas; hoje, nós temos 14 mil. Dobrou em sete anos e meio de gestão. As unidades de saúde estão todas reformadas, novas, com equipe completa, não faltam medicamentos. O que antes precisaria de apadrinhamento, hoje passou a ser protocolo, as pessoas entendem o protocolo a ser seguido em que todas elas tem acesso a suas demandas, suas necessidades. Ele profissionalizou a gestão, é uma gestão de resultados. Isso é muito importante

“O Jânio modernizou o jeito de fazer política, ele trouxe, realmente, a gestão para dentro da política de Trindade. A cidade era uma antes e agora é outra,depois do Jânio”

Em relação a Assistência Social – a primeira-dama atua nesta área – quais as ações que se destacam. Houve um trabalho especial na pandemia?

São mais de 3 mil famílias atendidas só com fraldas aqui em Trindade, que as recebem gratuitamente. São quase 200 pessoas internadas em suas casas, dentro do Programa Melhor em Casa, onde famílias recebem todo o atendimento médico, de nutricionista, odontólogo, recebem maca, cama…As pessoas não precisam ir para o hospital, por exemplo, pessoas na terceira idade, pessoas portadoras de alguma necessidade especial, ou pessoas que tem que ficar em casa, que tem que ter o cuidado sempre de alguém por perto, ela recebe toda a infraestrutura. Inclusive, tem um programa que a primeira-dama Dona Dairdes toca, o Mãos Solidárias, que reforma as casas dessas pessoas que precisam de acessibilidade. Então, tem todo um trabalho social também desenvolvido junto com a área da Saúde. E durante esta pandemia, a nossa Secretaria de Assistência Social, da Secretária Gerúsia, que faz um trabalho muito bacana, está fazendo um trabalho extenso de entrega de cestas básicas, botijão de gás, um trabalho muito importante.

Foto: Fernando Leite

Como funcionava a rede hospitalar antes da gestão do Jânio?

O Hutrin era municipal quando o Jânio entrou, só que a estrutura era toda comprometida, tínhamos grande dificuldades. Na época, no primeiro mandato, o Jânio conseguiu estadualizar o Hospital; reformou e entregou para o Estado, hoje tem uma OS que toma conta. Então, foi feita esta transformação. Em contrapartida, hoje nós temos a UPA na região leste, que atende não somente os trindadenses, mas o pessoal de Goianira, de Goiânia, que moram na área limítrofe. Foi uma outra transformação, é uma das UPAs com maior nível de qualidade, já constatado no país. E é em uma região que muitos diziam que era esquecida, em outros momentos. Hoje, ela contemplada tanto na área da saúde, da educação , da infraestrutura, uma transformação.    

O sr. diria que é uma gestão mais inclusiva, que traz mais para perto o cidadão?

Sem dúvida, dá oportunidade para as pessoas virem até o poder público. Sempre digo que a administração pública tem que ser de portas abertas, para que possamos ir em direção às pessoas e as pessoas até nós. E o que acontece com estes programas implantados pela nova gestão do Jânio é aproximar o poder público do cidadão, da realidade de cada um, no seu dia a dia.

“Sempre digo que a administração pública tem que ser de portas abertas, para que possamos ir em direção às pessoas e as pessoas até nós”

 Além das mudanças de gestão, houve uma mudança política, do comportamento político, em Trindade?

Muitos que inclusive estão aí, neste momento, buscando voltar à Prefeitura, tiveram a oportunidade de fazer algo e não fizeram. O prefeito Jânio foi um prefeito inovador, com jeito empreendedor de fazer gestão. Creio muito que a gestão é feita para todos, e foi assim que ele posicionou a gestão. De modo que as pessoas tivessem acesso aos programas, à Prefeitura, de um modo geral.  Grupos políticos que passaram por Trindade tiveram a oportunidade para  desenvolver a cidade, mas não tiveram a capacidade para colocar isto em prática. Isso é nítido. Tivemos gestão de prefeitos, de oito anos, e a cidade pouco se desenvolveu; outro teve quatro anos e perdeu a reeleição, justamente por não ter atendido as necessidades do nosso povo.

“Grupos políticos que passaram por Trindade tiveram a oportunidade para  desenvolver a cidade, mas não tiveram a capacidade para colocar isto em prática. Isso é nítido”

Trindade, como todas aqui do entorno de Goiânia, ainda tem aquele rótulo de cidade dormitório? Isso tem mudado? E o  turismo religioso? O município tem investido neste segmento?

Trindade, quando se olha dentro de uma análise sistemática da nossa estrutura, nós temos duas regiões. A região central e a região leste, que é aquela que faz limite com Goiânia e  Goianira, divide realmente com os dois municípios. A central tem um potencial turístico muito grande, que já foi explorado e deve ser ainda mais. Só que uma outra coisa que nós falamos quando fomos discutir o Plano Diretor da cidade foi a identificação das regionais, dividimos a cidade em 10 regiões – 5 na região central e 5 na região leste – e identificamos qual a parte da cidade que tem potencial turístico, e qual não tem. Para que cada uma destas regiões tivesse uma identidade própria, no sentido de uma cidade sustentável. De maneira que as pessoas morassem naquela localidade e tivessem trabalho próximo, escola próxima, unidade de saúde, lazer. Então, estas regionalizações foram sendo criadas. Inclusive o nosso Plano de Governo, nosso projeto, contempla este arcabouço de situações para que dê sustentabilidade para aquela região. Trindade tem esta particularidade, é uma cidade turística? Sim, e nós temos muito que investir no turismo. Mas eu sempre digo: como investir no turismo, se nós tínhamos setores aí sem água, sem asfalto, sem escritura, sem infraestrutura, sem o básico. O Jânio fez este movimento de deixar hoje uma cidade equilibrada, sem dívida, com capacidade de desenvolvimento muito maior do que quando ele pegou.  Que era uma cidade endividada, com a infraestrutura acabada.

“O comércio da região leste é muito forte. É algo que nós devemos potencializar e dar sustentabilidade. Com isso,  a dependência de Goiânia vai diminuindo”

E o que foi feito de diferente?

Tivemos sete anos e meio, quase oito, para transformar  Trindade e fazer com que a cidade tivesse hoje a capacidade de dar um salto de desenvolvimento. Sempre digo que chegou o momento. Uma coisa que nós nunca vamos deixar de ser é próximos a Goiânia; quando se é próximo da capital, sempre haverá pessoas dependendo da capital, para uma coisa ou outra. Isso é natural. Desenvolvemos um Polo Industrial, várias empresas estão se instalando e outras várias já estão funcionando. Quando se traz empregos, junto já vem o desenvolvimento da cidade. O comércio da região leste é muito forte. É algo que nós devemos potencializar e dar sustentabilidade. Com isso, a dependência de Goiânia vai diminuindo.

O que seria, na opinião do sr., esse desenvolvimento, esse salto qualitativo, que Trindade está pronta para dar?

É um projeto que nós temos, mas também em uma progressão de governo. O Jânio veio até aqui. Tudo o que ele fez vai nos permitir dar este salto de desenvolvimento. A gente não fala no continuísmo. O Jânio veio com o governo e hoje nós temos a condição de dar esse salto, de fazer uma progressão disso. Melhorou? Melhorou demais, mas ainda temos muita coisa a fazer para melhorar mais. Então, é um projeto que tem sequência. Acredito muito na gestão sequenciada. Não adianta eu chegar aqui, olhar o que foi feito e achar que nada serviu. Não. Temos que melhorar muitas coisas? Temos. Mas temos que sequenciar, dar sequência neste governo, que começou, do qual eu participei e que deu certo.

“Acredito muito na gestão sequenciada. Não adianta eu chegar aqui, olhar o que foi feito e achar que nada serviu”

Como foi o processo que levou o sr. a ser o pré-candidato apoiado pelo prefeito Jânio Darrot? Havia o interesse do vice-prefeito Gleysson Cabryni em ser candidato a sucessão. O que aconteceu?

No ano passado, o prefeito reuniu os pré-candidatos que, naquela primeira reunião, éramos quatro. O vice-prefeito, o então secretário de Indústria e Comércio, Alexandre César, o vereador Dr. Diego e eu, que também era secretário. Eu estava naquela reunião por dois motivos: tinha demonstrado a vontade de ser candidato a prefeito e, em uma das pesquisas que o prefeito Jânio fez, meu nome apareceu pelo trabalho feito na secretaria. Nessa reunião, o prefeito disse : “Olha, eu quero que vocês trabalhem. Quem construir melhor, é o meu candidato”. Eu levei isso em consideração e fui trabalhar: fui juntar o grupo, reunir as forças, trabalhar com as lideranças que tinham ali, trabalhar com o grupo do Jânio, buscar pessoas que estavam fora do processo. Neste ano, os pré-candidatos estiveram juntos novamente, com a presença também do presidente da Câmara, e o prefeito repetiu a recomendação de que continuássemos trabalhando. Em junho, eu pedi ao Jânio a oportunidade de mostrar para ele o grupo que eu tinha conseguido aglutinar. E foi quando ele tomou a decisão. Nós tínhamos a maioria dos secretários, sete vereadores da Câmara, além de mim; conseguimos unir um grupo político, um grupo administrativo, pessoas tradicionais da cidade.

“Eu não esperei de braços cruzados o Jânio decidir quem seria seu candidato à sucessão, eu construí a minha candidatura”

Foi um trabalho de articulação?

Exatamente. Foi assim que eu me tornei um nome. Porque eu era, antes daquele momento, a última opção.  Eu soube enxergar isso. Então, eu não esperei de braços cruzados o Jânio decidir quem seria seu candidato à sucessão, eu construí a minha candidatura. Para quando ele decidisse, a gente já tivesse a oportunidade de estar com o grupo em andamento. Os outro pré-candidatos não conseguiram fazer esta articulação, e nós só conseguimos porque nós tivemos a oportunidade de juntar estas pessoas. E política se faz com gente. Eu acredito muito que a conversa, as discussões, vão nos levando a dias melhores, a conquistas. 

Foto: Ascom

Houve um rompimento entre o prefeito e o vice-prefeito, mesmo sendo os dois do mesmo partido? Um afastamento do grupo dele do prefeito?

Foi justamente o modo como as construções eram feitas. Eles achavam que o Jânio tinha a obrigação de lhes dar o apoio . No momento que o Jânio tomou a decisão de nos apoiar, houve o rompimento. Mas só fui escolhido, na época, porque entendi que o processo era construído. O Jânio não ia pegar os eleitores, os grupos políticos, colocar em uma caixinha e me entregar. Eu tive que correr atrás, conquistar estas pessoas. Acredito que as pessoas tem que fazer por merecer. É algo construído. “Ah, é minha vez”. A política não tem ordem de chegada, é um trabalho de merecimento. Decidi plantar, para colher com o povo de Trindade.

Como estão sendo trabalhadas as alianças na sua pré-campanha?

Vejo dois momentos. Primeiro, para ser candidato da base. Quando aconteceu, daquele momento para frente, era para agregar pessoas para ganhar as eleições, em busca da vitória. Conversamos com os partidos. O PMN, que está na nossa chapa. O PSDB, o partido do prefeito Jânio Darrot. O Republicanos, que fez a indicação do vice, o pastor Alcione, com apoio do deputado João Campos, que tem credibilidade e história. E o Patriotas, nosso partido.

Qual é a sua participação na Igreja Católica? O sr. tem algum vínculo com a Igreja?

Sou ministro de eucaristia, minha família é dentro da Igreja Católica, sou católico, tenho uma vivência na Igreja Católica. Tornei-me ministro de eucaristia quando padre Marco Aurélio ainda era pároco da Matriz de Trindade, por muito tempo servi a Matriz.

Como foi a articulação do apoio dos evangélicos da Assembleia de Deus a sua pré-candidatura?

Na região leste da cidade tem forte presença de evangélicos. Na região central a presença é católica, mas na leste é evangélica. Respeito muito o trabalho social das igrejas. Tanto é que a lei de isenção de impostos para os templos religiosos foi de quando nós estivemos secretário. Tivemos oportunidade de regularizar muitas igrejas. Fiz um caminho contando com eles…O pastor Romeu está em Aparecida de Goiânia, no Ministério da Esperança, foi um grande articulador. Pessoal da Fama, com o Abnair, o Samuel, também participaram das articulações. Eles tiveram um papel importante de articulação. Foi um grupo que conseguimos unir. Nem um outro pré-candidato conseguiu unir católicos e evangélicos.

“É preciso que tenhamos igualdade de oportunidade, seja evangélico, católico, espírita, jovem, adulto, idoso”

Politicamente, o que sinaliza esta convergência entre católicos e evangélicos em Trindade?

Temos um pastor como vice e acredito muito que essa construção consolida o respeito em Trindade. Por todas as bandeiras, pela realidade dos cidadãos. É uma oportunidade de quebrar paradigmas, de realizar o diferente e promover a cidade como um todo. Todos somos iguais e temos um cenário para ser abordado de maneira igual. É preciso que tenhamos igualdade de oportunidade, seja evangélico, católico, espírita, jovem, adulto, idoso.

Prefeito Jânio Darrot, Marden e o pré-candidato a vice, Pastor Alcione (Republicanos)

O sr continua com o apoio da Igreja Católica?

A Igreja tem algumas particularidades, em relação à comunidade evangélica. Eu creio que a minha história com a Igreja Católica me credencia a ter o apoio dos cristãos católicos.

“Quem tem serviço prestado em Trindade é o Jânio Darrot”

O sr é apoiado pelo atual prefeito, Jânio Darrot, mas vai enfrentar forças apoiadas pelo governo do estado. É uma oposição forte. Como o sr pensa em lidar com o apoio do governador Ronaldo Caiado (DEM)  a seus adversários?

Eu creio muito em serviço prestado. Quem tem serviço prestado em Trindade é o Jânio Darrot. O que o estado tem feito por Trindade não há o que falar, mas o que foi feito por Jânio Darrot, já temos o que falar. Então existe um legado que deve ser respeitado. O que nós temos que apresentar para a população é a sequência de serviço prestado. Tanto é que temos delegacias regionais, todas pagas pelo municípios, existe uma contrapartida muito grande do município, cedendo servidores. Contribuímos muito para o estado funcione dentro de Trindade. Então existe um poder público municipal que tem serviço prestado.

O sr acredita que a investigação sobre a Associação Filhos do Pai Eterno e o Padre Robson possa prejudicar a sua candidatura?

O que causa um pouco de estranheza que é uma ação que poderia ter sido feita desde março e só foi realizada agora. Esse é um ponto. Outro ponto é que, em meio a 70 negociações, pegou a do meu pai. Não era minha a fazenda. Em 2015, nem política pensava em fazer. Ministrava aula em faculdade, estava montando uma empresa. Todos os trindadenses foram pegos de surpresa. Todos perdemos com isso. A nossa economia sente esse momento negativo que estamos vivendo. Acredito que, como foi feito o negócio com meu pai, outras pessoas fizeram, com preço de mercado, seguindo toda  a legalidade do processo de compra e venda, inclusive com todos os impostos pagos, com documentos apresentados para a Receita Federal.

De acordo com as investigações, a Afipe tinha muitos negócios em Trindade. A entidade, ao que consta, comprou muitas terras.

Era o jeito que eles tinham de fazer investimentos. Tanto é que a chácara do meu pai compraram por R$ 1,5 milhão e, dois anos depois, venderam por R$ 2,7 milhões. Temos visto ações políticas em cima disso. O tempo vai dizer a verdade. A cidade perde, o turismo perde, o comércio também perde bastante. Politicamente, inclusive, opositores a nós disseram que o padre não ia se envolver em política e que eu não era o candidato dele. Então é isso. Muitos não assumem sua posição com medo do desgaste, mas eu assumo, por ser cristão católico. Minha fé é concreta. Sirvo a Cristo. (A situação) Muda a política porque têm muitas questões políticas envolvidas, muita gente se aproveitando do momento.

E o suposto envolvimento da sua namorada com os negócios da Afipe?

Ela é funcionária da Afipe há um bom tempo, mas acredito que ela nunca se beneficiou de nada da Afipe, que recebia seu salário e tem seus bens compatíveis. Pelo que conheço, não vai ter nenhum problema neste sentido. Também foi citada politicamente.

Esse ano teremos uma eleição com uma pandemia no meio. Será difícil? Qual a estratégia a ser adotada para conquistar o eleitor, em meio a este distanciamento imposto por medidas sanitárias?

Vejo um potencial muito grande das redes sociais. Sempre faço uma ressalva: até que ponto as redes vão convencer o eleitor? O eleitor era acostumado a ter o vereador na porta de casa. Já presidente, deputado federal, senador, as pessoas não eram acostumadas a tê-los em suas portas. As mídias sociais fazem diferença nesse sentido. Vamos andar por toda a cidade. Se não com muita gente, vamos com poucas. Se não pode cumprimentar, que estejamos dispostos a andar rua por rua da nossa cidade. Essa vai ser grande diferença nossa, utilizar a força da juventude para estar próximos das pessoas. Respeitando o momento em que estamos vivendo, mas não sermos negligentes a ponto de não ir até as pessoas.

A política hoje está muito desacreditada. Políticos jovens como o sr estimulam participação da juventude nos pleitos, nas discussões? O sr tem essa preocupação?

Quem não governa é governado. A juventude precisa ser protagonista. Tem que deixar de ser coadjuvante nesse cenário. Estamos em um mundo digital, não só das redes sociais, mas da gestão digital. Saímos de um modo analógico e entrando no digital. O tempo da juventude é o tempo que temos que nos preparar para os grandes desafios. Sou de uma família que não tem tradição na política, sou o primeiro a ter mandato. Mas, por outro lado, quem dos meus concorrentes tem raiz em Trindade? Tem familiares enterrados na cidade? Tem paixão por isso? A juventude tem que ser protagonista, tem que participar. O que nos espanta não é o barulho das pessoas ruins, mas o silêncio das pessoas boas.

Nas suas propostas tem essa preocupação, de estimular a juventude?

Na nossa gestão, uma das ações administrativas que vamos fazer é criação da Superintendência da Juventude. Justamente para gerar oportunidade, para formação profissional, inserção no primeiro emprego, tudo para ir dando identidade, para o jovem achar o caminho dele. Temos projetado a Casa da Juventude para direcionar o jovem para uma vida melhor.

Voltando a questão do desenvolvimento da cidade, como o sr. pretende trabalhar, em uma eventual administração, as oportunidades para cada região?

É uma preocupação o desenvolvimento sistemático da cidade de Trindade e, por isso, separamos em 10 regiões, cada uma com suas próprias características. Um exemplo é uma das regiões, que tem característica têxtil. Então, ali vamos fazer um pólo faccionista, não é inventar, mas análise da realidade e potenciar aquela região.

Na Secretaria de Habitação, o sr. chegou a iniciar a revisão do Plano Diretor. Essa é uma prioridade do mandato como prefeito?

O último tinha sido feito em 2008,  então a revisão do Plano Diretor começou em 2019. Não conseguimos finalizar porque, quando nós começamos as audiências públicas, a pandemia veio. Já no primeiro ano da nossa gestão, temos que elaborar este Plano Diretor, finalizá-lo, com os estudos. Temos, também feito por nós, um Plano Urbanístico Básico, com o apoio do arquiteto Luís Fernando Cruvinel, o Xibiu, que projetou Palmas (TO). Trindade, hoje, sua malha viária, é toda já projetada para cinquenta anos.     

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.