“A marca dessa gestão é o autoritarismo”, diz Ivan Valente sobre mandato de Cunha

Grupo de parlamentares do PSOL, PT e PSB se reuniu em coletiva para criticar a atuação do atual presidente da Casa, que julgam arbitrária

Chico Alencar (PSOL) comandou a coletiva que apontou 15 pontos negativos na gestão de Cunha| Foto: José Cruz/ Agência Brasil

Chico Alencar (PSOL) comandou a coletiva que apontou 15 pontos negativos na gestão de Cunha| Foto: José Cruz/ Agência Brasil

Após a fala de Eduardo Cunha (PMDB) sobre o semestre da Câmara, deputados do PSOL, PT e PSB convocaram uma coletiva de imprensa para apresentar um balanço próprio das atividades. Ao contrário do presidente da Casa, que julgou ter sido um semestre produtivo e de bons resultados, o grupo de parlamentares afirmou que Cunha comandou um “semestre de retrocessos”.

A principal reclamação dos deputados é a maneira como Cunha conduz as votações na Casa. “A marca dessa gestão, tendo a frente o presidente Eduardo Cunha, é o arbítrio e o autoritarismo”, disparou Ivan Valente (PSOL-SP).

“Nunca se votou tanto na Câmara? É possível. Mas também nunca se votou também tão atropeladamente, também nunca se engavetou propostas, projetos e CPIs de maneira tão célere e desconsiderando a própria demanda”, afirmou Chico Alencar (PSOL-RJ).

Para o grupo, Eduardo Cunha prioriza os temas que são de seu interesse e barra aqueles que o contrariam. “Enquanto o time dele estiver perdendo, o jogo nunca termina. Faz-se uma votação após a outra até que se alcance o resultado que ele quer impor ao Brasil”, criticou o deputado Alessandro Molon (PT-RJ).

Outro ponto bastante criticado foi o impedimento da participação do cidadão nas votações. Luiza Erundina (PSB-SP) afirmou que “Os cidadãos que deveriam ter nessa Casa um espaço para se manifestar, pra se expressar, pra colocar suas demandas” não conseguiram fazê-lo durante esta gestão. A repressão promovida pela segurança da Câmara também foi duramente condenada.

O grupo pontuou os quinze pontos que consideram negativos na gestão de Cunha. Confira os itens da lista:

  1. Engavetou a CPI dos planos de saúde;
  2. Pauta “hiper conservadora”: revisão do Estatuto do Desarmamento, Estatuto da Família e redução da maioridade penal;
  3. Acelerou a votação da terceirização;
  4. Apoiou as MPs 664 e 665: as medidas tratam de direitos trabalhistas e previdenciários. Segundo o grupo, “as medidas dificultaram o acesso ou diminuíram o alcance de benefícios como o Auxílio Doença, o Seguro Defeso, o Abono Salarial, o Seguro Desemprego e Pensão por Morte”;
  5. Derrubou o relator da comissão especial da reforma política: se referem à substituição do relator Marcelo Castro (PMDB-PI) por Rodrigo Maia (DEM-RJ);
  6. Manobrou na votação do financiamento empresarial;
  7. Repetiu a votação da redução da maioridade penal após derrota;
  8. A minirreforma eleitoral foi votada sem debate: eles se referem à PL 2259/15, que altera dispositivos das eleições, dos partidos e do código eleitoral;
  9. Sua ida à CPI da Petrobrás transformou-se em um rebaixado desagravo;
  10. Pedido de sindicância não foi despachado à corregedoria até hoje – o pedido faz referência aos 23 parlamentares que estão sob investigação da Operação Lava-Jato, que aguarda encaminhamento há mais de 120 dias;
  11. Forçou a aprovação da construção do “Parlashopping”: o termo se refere ao novo anexo da Câmara, construído a partir de uma Parceira Público-Privada e que vai permitir que alguns estabelecimentos se instalem na Casa;
  12. Ordenou o fechamento das galerias;
  13. Controle das estruturas de comunicação e administração da Câmara;
  14. Ambiente de temor e insatisfação entre os servidores;
  15. Uso da máquina para benefício próprio: os parlamentares criticaram o programa “Câmara itinerante” que, segundo eles, gera despesas e é usado por Cunha para se autopromover.

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