Talmon Pinheiro Lima

Especial para o Jornal Opção

1º de novembro de 1923. Nascia Raimundo Pinheiro Lima, segundo filho de um simples casal, em São Raimundo Nonato, pequena cidade ao sul do Estado do Piauí.

Raimundo Pinheiro Lima começou a trabalhar bem jovem, exercendo a tarefa de agrimensor e demarcando terras no seu Estado.

Dado seu espírito irrequieto, aliado à necessidade de alcançar melhores condições de vida, e já casado com sua conterrânea Maria de Souza Lima, Raimundo Pinheiro Lima mudou-se para a cidade de São Paulo, destino natural dos nordestinos, no início dos anos 50. Trabalhou em diversos ofícios na capital paulistana, mudando-se posteriormente para o Paraná, onde laborou em fazendas de café no norte do Estado, na época em que essa plantação era o principal produto de exportação da agricultura brasileira.

Passado algum tempo, Raimundo Pinheiro Lima mudou-se em 1954 para Goiânia, a recém jovem capital do Estado, onde entrou para o serviço público, nos quadros da Guarda Civil, extinta corporação policial que cuidava da segurança pública das cidades de Goiás.

Em maio de 1957, Raimundo Pinheiro Lima transferiu-se para Anápolis, onde terminou de completar a sua família de oito filhos. Galgando ascensão na corporação, alcançou o cargo máximo de inspetor, o que acabou incorporado no próprio nome, visto que a partir disso, passou a ser conhecido por Inspetor Piauí, cognome que o eternizou na vida pessoal, profissional e política.

Por mais de 10 anos, exerceu a função de delegado de polícia simultaneamente com o comando de fiscalização de trânsito em quarenta munícipios do Estado, atuando sempre com coragem, ética e responsabilidade, o que proporcionou a ele o reconhecimento das pessoas das cidades, o que o levou a ser convidado a se candidatar a prefeito de Goianápolis. Foi o início de uma carreira política dedicada aos interesses dos mais necessitados e pontuada de vitórias.

Raimundo Pinheiro Lima: percurso não é igual, mas é parecido com o de Lula da Silva | Foto: Arquivo da família

Mesmo perdendo essa eleição, o seu prestígio aumentou e candidatou-se a deputado estadual em 1963, para a 5ª legislatura da Assembleia Legislativa, alcançando a primeira suplência, vindo logo a assumir um assento na Casa, ao lado de notáveis da política goiana, como os ex-governadores Iris Rezende e Ary Valadão, os ex-vices governadores José Luiz Bittencourt e Ursulino Leão, os ex-senadores Osires Teixeira e João Abrão, os ex-prefeitos Anapolino de Faria e Olímpio Ferreira Sobrinho, além de uma constelação de grandes políticos consagrados do Estado. Participou ainda daqueles tempos de turbulência política no estado e país.

Terminado o mandato, pediu exoneração da Secretaria da Segurança Pública e ingressou nos quadros da Secretaria da Fazenda, onde passou a exercer o cargo de fiscal arrecadador (atual auditor fiscal), trabalhando novamente em diversas cidades goianas. Depois, voltou definitivamente para Anápolis, onde se tornou superintendente regional do órgão.

Convidado, candidatou-se a vereador em Anápolis em 1970, alcançando uma votação de aproximados 1.500 votos, o equivalente a 4% do eleitorado da cidade. Na reeleição, em 1972, obteve acima de 1.800 votos, o correspondente a 5% do eleitorado de Anápolis, ampliando o recorde anterior.

Nesse período estava no auge de sua carreira profissional e política, razão pela qual foi convidado para inúmeros encontros, congressos e conferências país afora, ingressando também na loja maçônica Roosevelt nº 2, uma das mais antigas e prestigiadas da cidade.

Terminado o seu mandato, pouco tempo depois também se aposentou do serviço público, com a noção plena do dever cumprido nessas duas missões.

No plano familiar, ao lado de sua mulher, conseguiu educar, criar e formar os seus filhos. Na sua descendência têm-se advogados, engenheiros, dentista, enfermeiras, psicólogas, servidores públicos, pastores evangélicos, empresários, estudantes universitários de medicina, de computação e de cinema, o que comprova a constante preocupação dele de proporcionar uma formação e educação de qualidade à sua numerosa família, que é composta na totalidade pelos ditos oito filhos, 19 netos, 25 bisnetos e quatro trinetos.

Em setembro de 1987, Raimundo Pinheiro Lima foi diagnosticado com um tumor na laringe, que, renitente a tratamentos e cirurgia, levou-o a óbito em 1º de agosto de 1988 — há 35 anos, deixando um legado eterno de respeito, reverência e reconhecimento pela sua pessoa especial e querida.

No dia 1º de novembro de 2023, a família Pinheiro comemora o centenário de nascimento do Inspetor Piauí, seu patriarca amado, honrado e inesquecível para sua prole e seus amigos.

Talmon Pinheiro Lima, advogado, é filho de Raimundo Pinheiro Lima.