‘A distância entre dois’ não pode ser o adeus da Quasar

Espetáculo apresentado no último domingo (11) deixou público com gosto de quero mais e provou que companhia goiana não vai parar

Quasar se despede, ainda que momentaneamente, do público | Foto: Layza Vasconcelos / Reprodução Facebook

Quasar se despede, ainda que momentaneamente, do público | Foto: Layza Vasconcelos / Reprodução Facebook

Foi com surpresa que a sociedade recebeu o anúncio de encerramento das atividades da Quasar Cia de Dança, feito na última terça-feira (6/9). A companhia é um dos grandes casos de sucesso da dança brasileira: saiu de Goiás e conquistou plateias por todo o Brasil e até pelo mundo.

A distância entre dois estreou na última sexta-feira (9) e ficou em cartaz no Teatro Goiânia durante todo o fim de semana. Não foi a última apresentação do grupo, que tem agenda em Brasília no próximo fim de semana e deve apresentar pela última vez Sobre isso meu corpo não se cansa em outubro, aqui na capital. Oficialmente, entretanto, as atividades se encerram no dia 17 de setembro.

Contudo, o fim da Quasar não é irreversível, anunciou Henrique Rodavalho, coreógrafo da companhia. Na verdade, o grupo de 28 anos — fruto de uma parceria de Henrique com a produtora Vera Bicalho — encara esse momento como uma paralisação das atividades, originada por um motivo: o fim do patrocínio da Petrobras.

“Nos últimos tempos, buscamos uma maneira de não depender tanto do nosso principal mecenas, mas não conseguimos”, explicou o coreógrafo.

Grande parte do sucesso da companhia se deu ao fato de que os bailarinos eram contratados, com carteira assinada, e desse modo podiam se dedicar exclusivamente à dança, afirmou Henrique. A manutenção do Espaço Quasar e a montagem de espetáculos – que envolve diversos profissionais para além dos dançarinos – também precisam do dinheiro que vinha desse patrocínio.

Tudo isso foi explicado ao público que lotava o teatro no último domingo (11). O coreógrafo, antes do início do espetáculo, agradeceu a todos os envolvidos no projeto: bailarinos, ex-bailarinos, médicos, cenografistas, jornalistas, professores e ao público que acompanhou os 28 anos de história da Quasar. E mais, garantiu que junto com um grupo intitulado “Amigos da Quasar” pensa em possibilidades para retomar os trabalhos.

A distância entre dois

Produção mais recente da Quasar, o espetáculo apresentado no último fim de semana na capital goiana foi dedicado ao cenógrafo e diretor de arte Shell Júnior, falecido no ano passado e que trabalhou na companhia desde 1994. O cenário ligava o teto ao chão através de linhas, um elemento que ele gostava muito.

No palco, seis bailarinos – Gleysson Moreira, Jackeline Leal, João Paulo Gross, José Villaça, Lunna Gomes e Martha Cano – apresentaram a sequência de Sobre isso meu corpo não se cansa.

Ao contrário da primeira obra, que tratava de amores românticos, cantados e com um clima diurno, ensolarado, essa se passa à noite e traz uma espécie de “baile noturno”. Em números que ilustram as relações dos casais e as entregas ao desejo, A distância entre dois se baseia na atração, no mistério e no prazer.

Com coreografia, música e iluminação impecáveis, o espetáculo prendeu a atenção de toda a plateia e foi uma sequência à altura de uma das obras mais elogiadas da companhia. Ao fim, após uma sequência alegre, a emoção tomou conta do teatro com longos aplausos, dados de pé por todos os presentes.

Foram mais de dois minutos de palmas para os bailarinos e toda a equipe que foi subindo aos poucos no palco e o que ficou foi a certeza de que, se depender do público, esse não foi o adeus da Quasar, mas um até logo.

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