A Copa dos gols de bola parada

Surge uma nova ordem no futebol mundial

Dos seis gols que o artilheiro inglês Harry Kane marcou na Copa, três foram de pênalti e dois a partir de cobranças de escanteio | Foto: Matthias Hangst/Getty Images

Cilas Gontijo

Ao final do mundial, chegamos à conclusão que jamais na história das copas – criada em 1928 na França liderada pelo presidente Jules Rimet e tendo sua primeira edição em 1930 no Uruguai, cuja seleção uruguaia saiu vencedora; com exceção de 1942 e 1946, que não pode ser realizada por causa da Segunda Guerra Mundial – houve tantos gols com a bola parada, seja em cobranças de faltas, escanteios ou penalidades. Foram 74 gols anotados dessa forma.

Assim como na década de 1990, com os acontecimentos na Rússia, a chamada “nova ordem mundial” tem provocado profundas mudanças na geopolítica mundial. Coincidência ou não, também na Copa do Mundo na Rússia o mundo pôde ver algumas grandes transformações com relação a um novo estilo de se jogar futebol, que muitos especialistas no esporte em todo o mundo chamam de “a nova ordem no futebol mundial”.

Mas em que consiste essa nova ordem? Basicamente em um futebol mais coletivo, no qual todos jogam por todos, pelo povo da nação representada. Não vale mais a figura de uma ou duas estrelas e craques que contam com todo o restante da equipe a jogar por ele. Não. Um novo modelo onde a organização tática, o melhor aproveitamento das bolas paradas, a força física e o jogo coletivo são as armas das grandes equipes.

Claro que não estou falando que a figura de um, dois ou três jogadores diferenciados – os chamados craques –, com seus dribles desconcertantes e suas jogadas geniais, como Messi, Cristiano Ronaldo, Hazard, Neymar e tantos outros não possam jogar juntos em um mesmo time. Mas ficou claro nesse mundial que todos devem jogar por todos.

Por causa da forte marcação imposta pelas defesas e a dificuldade que os jogadores de frente, até mesmo os geniais, encontraram para furar o bloqueio dos adversários, o jeito foi partir para bolas paradas, que foram o grande destaque da Copa.

Os clubes brasileiros precisam investir mais treinamentos em jogadores que se destaquem no que se refere à cobrança de falta. Há muito tempo não vemos por aqui jogadores com habilidades nessa área. O último que ainda está em atividade, mas não por muito tempo por causa da idade, é o meia Diego, do Flamengo.

Por tanto, treinadores brasileiros, abram os olhos para essa nova ordem mundial no futebol, sob a pena de ficarmos para trás e perdermos o posto de sermos a única seleção pentacampeã do mundo.

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