A contragosto, vereadora é eleita sem se candidatar para ‘embelezar’ mesa diretora

Única vereadora mulher de Canguçu, após perder eleição para presidente da Casa, Iasmin Roloff foi eleita segunda vice-presidente sem se candidatar

Candidata à presidência da Câmara Municipal de Canguçu, Iasmin Roloff (PT), única vereadora mulher da cidade e membra da oposição foi eleita, sem se candidatar, ao cargo de segunda vice-presidente da Mesa Diretora da Casa. A justificativa dos parlamentares que declararam o voto à petista foi que Iasmin “embelezaria à mesa”.

Ao considerar um desrespeito, a parlamentar ainda não sabe se assumirá o cargo. Decisão será tomada em conjunto com o PT. “Emocionalmente, fiquei muito abalada. Não foi um desrespeito à vereadora Iasmin, mas a todas as mulheres. Ainda estou digerindo, encontrando forças para seguir de cabeça erguida, mas me fez muito mal. Não posso me abalar, porque tem muita gente que confia no meu trabalho”, relatou Iasmin.

Além de ser a única vereadora mulher da Câmara de Canguçu, a petista também é a mais nova da legislatura, com 24 anos, e a única eleita por um partido de esquerda. Apesar de não saber se irá assumir o cargo, diz que não pretende tomar medidas legais ou administrativas contra os pares. “Não é um concurso de beleza, estou ali para trabalhar pelo município. Fui eleita porque tenho propostas e capacidade de exercê-las, não porque sou bonita. Esse tipo de justificativa acaba invisibilizando todo o meu trabalho”, justificou.

As declarações dos parlamentares, consideradas desrespeitosas por parte da petista, foram proferidas durante a última sessão legislativa do ano, que elegeu a mesa diretora referente ao ano de 2022. Na ocasião, apesar de ter se candidatado para presidente da Casa, Iasmin perdeu para Marcelo Maron (PTB). Na votação, o líder do PP na Câmara, Francisco Vilela, chegou a justificar o voto em Iasmin para segunda vice-presidente ao dizer que o partido “vota em dama”.

Durante a transmissão, neste momento, é possível ouvir alguém afirmar a intenção de “embelezar essa mesa”. Logo em seguida, Arion Braga (PP), também da oposição, justifica o apoio à petista ao fato de “embelezar a mesa”. “Vereadora Iasmin para embelezar essa mesa aí e dar um ‘tchan’ feminino, tem todo o nosso apoio”, disse. Posteriormente, Braga lamentou e afirmou que não tinha intenção de constranger a colega.

“Não ofendi ninguém, não menosprezei a vereadora e não usei nenhuma palavra com a intenção de desrespeitar. A vereadora tem meu carinho e minha admiração como colega e cidadã. Fiquei muito triste com a condução que isso teve”, afirmou. Durante a votação, Oraci Teixeira (PSB) e Silvio Neutzling (MDB) também justificaram o voto com as mesmas palavras.

Após ambos os votos, Iasmin chegou a pedir a palavra e contestar a justificativa dos pares. “Vereadores, por favor, quando forem votar em mim, que votem pela minha capacidade intelectual e não pela minha beleza”, disse. Em complemento, o vereador Carlos Eduardo Martins (PP), chamado de Dudu, chegou a protestar contra os colegas e caracterizar a posição dos parlamentares como “falta de respeito e falta de caráter” contra Iasmin.

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