75% dos estudantes da UFG são de baixa renda, diz pesquisa

Para o reitor da instituição, Edward Madureira, UFG distorce os dados para baixo quando comparada ao cenário nacional

Foto: Assessoria de Comunicação do Câmpus Jataí/UFG

A Universidade Federal de Goiás (UFG) promoveu, na manhã desta quinta-feira, 23, uma coletiva de imprensa para divulgar o perfil socioeconômico dos estudantes da universidade. A apresentação dos resultados da pesquisa foi realizada pelo reitor da universidade, Edward Madureira, na sala de reuniões do campus Samambaia.

Os dados apresentados representam um desmembramento da V Pesquisa do Perfil Socioeconômico e Cultural dos Estudantes de Graduação das Universidades Federais, realizada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

Ao todo, 30.633 estudantes responderam ao questionário, aplicado entre fevereiro e junho de 2018 via internet. “Foram considerados apenas os questionários que foram respondidos em sua integralidade. Tomamos diversos cuidados para obtermos o resultado mais fidedigno possível”, assegurou o docente.

Resultados

O levantamento revela que as Universidades Federais, principalmente a partir de 2012, com a aprovação da lei de cotas, do ponto de vista de renda familiar, raça e cor, estão cada vez mais próximas do que é mostrado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Enquanto o resultado geral mostra que 51,2% dos participantes se identificaram como negros (pardos e pretos). Na UFG, a população negra, segundo a pesquisa, equivale a 54,58% dos graduados.

A pesquisa mostra, ainda, que 75% dos estudantes da UFG são de baixa renda. “Talvez esse seja o resultado mais impactante da pesquisa”, considerou o reitor ao apresentá-lo. Acontece que, enquanto no âmbito total das instituições federais de ensino superior (Ifes), 70,2% dos alunos possuem renda mensal familiar per capta de até 1,5 salários mínimos, na UFG o dado é de 75,5%.

Para Edward Madureira, os dados levantados colocam a universidade diante de um grande desafio: “fazer com que o estudante permaneça e tenha êxito dentro da Instituição” / Foto: Felipe Cardoso / Jornal Opção

“Percebemos, com isso, que a UFG distorce os dados para baixo quando comparada ao cenário nacional. Isso nos coloca diante de um desafio enorme: fazer com que esse estudante permaneça e tenha êxito dentro da Instituição”, destacou Madureira.

Outro ponto da pesquisa demonstra que as instituições federais recebem prioritariamente estudantes oriundos da rede pública de ensino. A pesquisa de âmbito nacional aponta para 64,7% enquanto o desdobramento da UFG mostra o índice 63,1% nessas condições.

Este fato, segundo a Universidade, reflete nas formas de ingresso dos alunos. 48,3% deles entraram pela modalidade de ampla concorrência enquanto 41,97% pelo sistema de cotas. Dentre os cotistas de Goiás, 34,9% deles reúnem a combinação escola pública, com pretos, pardos e indígenas (PPI), além de renda mensal familiar de 1,5 salário mínimo.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.