5 coisas que você deve saber sobre brinquedos usados no Mutirama (ou em qualquer lugar)

Equipamento comprado de segunda mão é mais inseguro do que um novo? Questões como essa vêm à tona após tragédias em parques de diversões e é bom esclarecê-las

Montanha russa do Mutirama | Foto: divulgação/ Prefeitura de Goiânia 

Com a quebra do brinquedo Twister, que, na quinta-feira (26/7) deixou 11 pessoas feridas no Mutirama, em Goiânia, recrudesceu a polêmica sobre um suposto risco maior causado por brinquedos usados.

Obviamente, após a inauguração de um parque todo equipamento passa a ser usado, mas a questão – melhor seria falar em questiúncula – se põe em relação ao mito de se comprar algo de segunda mão.

Algumas coisas precisam ser ponderadas neste sentido e você precisa saber:

1) Brinquedos usados não são perigosos por terem sido comprados usados. A maioria dos equipamentos que estão em qualquer parque de diversões foi certamente foi adquirida de segunda mão. Nem por isso eles se tornam menos seguros – se as medidas preventivas forem levadas com a manutenção adequada.

2) Parece ser redundante, mas essa manutenção de brinquedos de parques precisa ser rigorosa como a de um avião, um elevador ou qualquer outro equipamento em que a segurança venha em primeiro lugar. Se sair da “loja”, mas não tiver essa atenção, de pouco vale o fato. Ou seja, é melhor ter um usado bem cuidado do que um novo sem manutenção (repetindo o óbvio).

3) O Twister, brinquedo que quebrou e feriu pessoas no Mutirama não foi adquirido na última reforma. Ele já pertencia ao patrimônio do parque desde 1997 quando tinha – havia sido entregue pelo fabricante em 1986 ao primeiro dono, do qual a administração do Mutirama o adquiriu 11 anos depois.

Twister antes do acidente desta semana | Foto: Emeline Diniz/ Prefeitura de Goiânia

4) Muito se fala até hoje sobre a montanha-russa comprada na última reforma do Mutirama e que foi o estopim da judicialização do processo, principalmente para apuração de superfaturamento ou sobrepreço. É preciso ressaltar que até hoje nenhum parque brasileiro, público ou privado, comprou montanha-russa alguma equivalente à do Mutirama ou maior que não fosse usada, justamente pelo custo – a exceção é uma de madeira do Hopi Hari, adquirida em condições muito específicas de mercado.

5) O mínimo que se pagaria por uma montanha-russa nova do porte da que está no Mutirama (com cerca de 60 metros de comprimento e 300 metros de pista) seria algo em torno de 3 milhões de euros; some-se a isso mais encargos, seguro e frete marítimo e terrestre e o valor praticamente dobra. A montagem custa cerca de 40% do valor do equipamento. O total chegaria a mais de 7 milhões de euros. Ainda que o real tenha se desvalorizado desde 2011, quando a obra da reforma do parque se iniciou, o custo final somente desse equipamento chegaria o valor de toda a verba destinada à reforma do parque na época. A empresa optou por comprar uma montanha-russa que pertencera ao Play Center com valor de R$ 2,67 milhões, incluindo o frete.

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Alexandre

A questao e o interesse de quem gerencia,sao pessoas indicadas por partidos politicos para usar a maquina publica em favor do grupo politico.nao valorizam o servidor