1º dia da CPI Covid teve ao menos 173 requerimentos; senadores pedem informações e convocam ministros da Saúde

Todos os pedidos precisam ser pautados pelo presidente eleito do colegiado, Omar Aziz (PSD-AM); solicitações abrem caminho para apuração sobre como o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) conduziu o país no enfrentamento à pandemia

Plenário do Senado Federal. | Foto: Portal do Senado

A CPI da Covid, que iniciou seu funcionamento nesta terça-feira, 27, teve um dia movimentado, com ao menos 173 solicitações apresentadas por congressistas. Os requerimentos ainda precisam ser aprovados por comissão no Senado, mas abrem caminho para uma apuração sobre a forma que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) conduziu o país no enfrentamento à pandemia.

Nas solicitações, há pedidos quanto informações sobre o fornecimento de respiradores, oxigênio, EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), “kit intubação”, abertura de leitos, aquisição de vacinas, seringas e distribuição de cloroquina destinada ao ‘tratamento precoce’. Também é requerido que o atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e seus três antecessores, Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello, sejam ouvidos.

Em ao menos cinco requerimentos, que vieram de senadores da oposição e de governistas, foi mencionada a crise de fornecimento de oxigênio em Manaus. Todos os pedidos já realizados ou que venham a ser apresentados posteriormente pelos senadores precisam ser pautados pelo presidente eleito do colegiado, Omar Aziz (PSD-AM), para assim serem votados pela comissão.

Detalhamento das solicitações

Dos membros titulares da CPI, os governistas são Jorginho Mello (PL-SC), Eduardo Girão (Podemos-CE), Marcos Rogério (DEM-RO) e Ciro Nogueira (PP-PI). Em suma, os aliados do governo defenderam a convocação de profissionais que defendam o tratamento precoce da Covid-19.

Assim, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) solicitou a presença do psicólogo Bruno Campello de Souza e do médico infectologista Francisco Eduardo Cardoso Alves. Ambos assinaram nota técnica preparada pelo Ministério Público em Goiás, em defesa do tema. Nogueira também solicitou que a imunologista e oncologista Nise Yamaguchi, que chegou a ser cotada para substituir Luiz Henrique Mandetta, seja chamada.

Já Eduardo Girão (Podemos-CE) convocou o médico infectologista Ricardo Ariel Zimerman, que também assina o documento preparada pelo MP-GO. Girão ainda protocolou a convocação de Osnei Okumoto, secretário de Saúde do Distrito Federal, e solicitou o convite de convite de Mandetta e Nelson Teich. Com Okumoto, a intenção é que seja tratada a aplicação dos recursos federais repassados ao governo do DF em razão da pandemia e a Operação Falso Negativo, que detectou a compra superfaturada de testes rápidos com baixa qualidade. O senador também protocolou convite de Mandetta e Nelson Teich.

Já entre os demais senadores, vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), fez pelo menos 45 requerimentos e solicitou todos os documentos sobre o tema. Já Alessandro Vieira (Cidadania-SE) pediu que sejam convocados os gestores de Manaus e o ex-secretário especial de Comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten. O senador também pediu a convocação do ex-chanceler Ernesto Araújo e o compartilhamento de dados obtidos na CPMI das Fake News.

O presidente da CPMI das Fake News, senador Angelo Coronel (PSD-BA), apoiou a ideia e requereu a convocação do ministro da Controladoria Geral da União, Wagner Rosário, do presidente da Pfizer no Brasil, do presidente da União Química no Brasil, dos presidentes do Instituto Butantan e da Fundação Oswaldo Cruz e dos embaixadores da China e da Rússia. Para o Coronel, o que o Brasil mais precisa nesse momento é do Plano Nacional de Vacinação, da compra de vacinas e do cronograma de entrega.

Entre as 11 propostas levadas por Renan Calheiros (MDB-AL), que é relator da CPI, estão processos relacionados à compra de vacinas e insumos do Ministério da Saúde e a requisição da regulamentação feita pelo governo federal sobre o isolamento social. Ele também pediu documentos relacionados a medicamentos sem eficácia comprovada, utilizados em tratamentos precoces e campanhas de comunicação do governo.

O plano de trabalho elaborado por Calheiros será analisado nesta quinta-feira, 29.

Informações de A Folha de São Paulo

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