Governador define metas para o desenvolvimento do Estado

O processo de industrialização é uma das prioridades do Plano Estratégico apresentado ao ministro Roberto Mangabeira Unger

Ministro Mangabeira Unger e governador Marcelo Miranda: união de esforços em prol do Tocantins | Foto: Gilson Cavalcante

Ministro Mangabeira Unger e governador Marcelo Miranda: união de esforços em prol do Tocantins | Foto: Gilson Cavalcante

Gilson Cavalcante

O governador Marcelo Miranda (PMDB) voltou a defender a municipalização das políticas públicas sustentáveis. “Temos que levar aos municípios discussões e projetos políticos que resultem em desenvolvimento”, disse durante encontro com o ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos de Desenvolvimento da República, Roberto Mangabeira Unger e alguns secretários, na semana que passou. “O nosso maior desafio é resgatar o processo de industrialização, iniciado em minha gestão anterior. Para isso, temos que preparar a nossa população, por meio de programas e ações públicas”, acrescentou o governador.

A premissa básica do plano estratégico é realização de projetos nas áreas de educação e de desenvolvimento inclusivo. “Somos um Estado com perspectivas reais de crescimento e precisamos trabalhar para que o processo de industrialização no Tocantins seja retomado e concretizado”, sustentou Miranda a Mangabeira.

Sob esse prisma, o ministro defendeu a integração do Tocantins com a região Centro-Oeste. “Es­tamos construindo uma nova estratégia de desenvolvimento nacional, baseada em capacitações e o Centro-Oeste pode ser a vanguarda dessa estratégia”, advogou.

Como proposta de desenvolvimento da região, Mangabeira apontou a necessidade de criação de um centro de empreendedorismo, também defendido por Marcelo Miranda. “A proposta deste centro veio ao encontro do que nós pensamos, que é sair à frente na profissionalização, para que possamos atrair ainda mais investidores para o Tocantins e para região Centro-Oeste”, destacou o governador.

Na avaliação de Miranda, o agronegócio brasileiro hoje passa pelo Tocantins e passa por Goiás. Para isso, defendeu a realização de obras estruturantes (pontes e rodovias, principalmente) para que novas empresas sejam atraídas para o Estado, com o estímulo dos incentivos fiscais.

“A presença do ministro é um privilégio para nós todos. Ele está com os olhos voltados para atrair projetos de grande porte para as regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. E o Tocantins é um Estado que pode oferecer muito. Temos uma ferrovia, estamos discutindo a hidrovia e temos rodovias que estão prestes a ser duplicadas”, destacou o governador, se referindo à vantagem da logística do Estado.

Mangabeira defendeu o investimento em um novo modelo de industrialização. “Precisamos qualificar a agropecuária, investir na industrialização, principalmente dos produtos agropecuários e da biotecnologia. O Inova Gurupi é um exemplo disso”, destacou o ministro, que esteve também na cidade, acompanhado do governador e do prefeito Laurez Moreira (PSB).

O Tocantins possui grande potencial para receber investimentos que resultem em desenvolvimento econômico e sustentável. Segundo o secretário da Fazenda, Paulo Afonso, o Estado dispõe de uma capacidade muito grande para investimentos. E garantiu que o governo, apesar do momento de crise econômico-firanaceira, vai investir na infraestrutura e, principalmente, na educação, para potencializar o desenvolvimento.

O Tocantins conta com 13 milhões de hectares de terras férteis disponíveis ao produtor, e estão em curso em território tocantinense projetos de irrigação que vão potencializar a produção. “A água é uma das nossas grandes riquezas. Hoje, produzimos 130 mil toneladas de peixes e temos um potencial para chegar até 900 mil toneladas por ano”, afirma o secretário da Agricultura, Clemente Barros.

Industrialização

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Tocantins (Fieto), Ro-berto Pires, o fortalecimento da indústria depende de uma adequação das ações do Estado com mais investimentos em educação, inovação, tecnologia e principalmente infraestrutura.

Para que o Tocantins tenha mais representatividade no segmento industrial proporcionando mais empregos na iniciativa privada, Pires cita alguns fatores-chave que devem ser colocados em prática pela gestão pública: melhorias nos indicativos sociais, o Estado deve se tornar mais eficiente e os mercados desenvolvidos.

Nesse processo, o presidente da Fieto entende que é necessário o aperfeiçoamento do marco regulatório para as pequenas indústrias, desenvolvimento territorial com foco nas vocações regionais.“É necessário preparar algumas regiões com infraestrutura para atrair capitais e descentralizar a indústria”, completa.

No entendimento do presidente da Fieto, para a indústria atingir um patamar de competitividade é preciso focar em alguns fatores como a redução da carga tributária, mais acesso ao crédito e transformar o eixo viário (como a Ferrovia Norte-Sul) em um eixo de desenvolvimento. “Para isso, os insumos – principalmente do agronegócio como a soja – devem ser transformados aqui para agregar valor, aquecer a economia e gerar empregos.”

Nessa perspectiva, Roberto Pires destaca que a elaboração de um Plano de Desenvolvimento da Indústria se torna fundamental como instrumento norteador para identificar os cenários e planejar o futuro do Tocantins baseado num crescimento sustentável.

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