“Continuo apoiando o governo Marcelo Miranda, como sempre fiz”

Deputada petista afirma que se sente no dever moral de contribuir, todos os dias, para que o governo estadual acerte cada vez mais

Deputada Amália Santana | Foto: reprodução/ Facebook

Goiana de Itaberaí, radicada em Colinas do Tocantins desde 1972, quando sua família migrou para o então Norte de Goiás em busca de novas oportunidades, Amália Santana é técnica de enfermagem e servidora pública estadual. Militante do Partido dos Trabalhadores., sempre atuou nos movimentos sociais e na defesa dos servidores públicos. Foi eleita vereadora na cidade de Colinas por dois mandatos. Em 2010, foi eleita deputada estadual, sendo reeleita em 2014 com mais de 14 mil votos, sempre pelo PT.

Assumidamente comprometida com a causa das mulheres, com a ideologia de gêneros e com práticas humanitárias, a parlamentar se proclama defensora das cotas, bem como de todas as formas de inclusão social.

Como e por que a sra. entrou na política?
Quase por acaso. Eu trabalhava na área da saúde e contribuía nos bastidores com meu irmão, José Santana, então político na cidade, nas demandas sociais. Não me preparei para ser vereadora, a bem da verdade. Todavia, vieram as eleições e era necessário preencher a cota feminina da coligação. Me vi encorajada pelo nosso saudoso prefeito Gilson Costa, a lutar no parlamento municipal pelas causas que eu já defendia.

O primeiro enfrentamento foi na minha própria casa. Houve muita resistência, contudo, consegui convencer meus familiares e obtive uma votação histórica na cidade, quando fui a mais votada. Fiz um mandato de muitas lutas, atuando de forma propositiva e fui reeleita, na condição de mais votada, novamente. Naquela eleição de 2008, o meu irmão também foi eleito prefeito da cidade de Colinas do Tocantins.

Se em 2006, fiquei como suplente de deputada estadual, face a uma base, de certa forma, restrita, uma vez que praticamente não fiz campanha fora do colégio eleitoral de Colinas, em 2010, após muita luta e planejamento, fui eleita ao parlamento estadual com pouco mais de 9 mil votos. Já em 2014, devido a uma pré-campanha iniciada desde o Bico do Papagaio até a região Sudeste, fui reeleita com 5 mil votos a mais, o que comprovou que minha luta pelo povo do Estado do Tocantins foi reconhecida.

A sra. tem uma história de militância e filiação ao PT, contudo, levando-se em conta as dificuldades que o partido enfrenta em âmbito nacional esse contato com as bases eleitorais tem sido prejudicado?
Não, tenho um perfil mais apaziguador e passo longe do radicalismo. Contribuo de forma conciliadora por onde passo, quer seja perante a família, igreja ou sociedade, quer seja no parlamento. Dessa forma, a base se identifica com meus discursos e minha postura.

Veja, neste momento, estamos num processo de disputa interna dentro no nosso partido e muitas pessoas me questionam porque eu não declarei apoio ao deputado Zé Roberto. Eu respondo que sempre optei e continuo optando pela corrente interna do PT, denominada CNB – Construindo um Novo Brasil, que é uma ala mais branda e sem radicalismos. O candidato dessa ala, Domingos Santos, é um moço simples, humilde, inteligente, uma pessoa extremamente comprometida e conhecedora das estratégias e políticas públicas defendidas pelo partido. Por tudo isso, e também pela identidade de perfil ideológico, vou apoiá-lo.

Neste contexto, há pouco tempo houve um choque de ideias dentro da sigla, uma vez que o deputado Zé Roberto queria que o partido se retirasse da base de sustentação do governo Marcelo Miranda, em razão de o PMDB ter votado a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, enquanto o deputado Paulo Mourão, em tom mais apaziguador, discursou no sentido de aguardar os acontecimentos para só então definir os rumos do partido no Tocantins. Como a sra. se posicionou?
Minha postura pessoal é de continuar apoiando o governo Marcelo Miranda, como sempre fiz. Fui para uma disputa estadual, onde era muito mais cômodo apoiar o ex-governador Sandoval, que dispunha de toda uma estrutura para oferecer e que, aliado a isso, era da minha cidade. Contudo, mantive a postura, me guiei pelas minhas convicções e estou onde sempre estive: apoiei Marcelo Miranda durante a campanha e ainda o apoio, até por uma questão de coerência.

Eu me sinto no dever moral de contribuir, todos os dias, para que este governo acerte cada dia mais, mesmo porque me sinto responsável por ascender o governador ao Palácio Araguaia. Pedi aos meus eleitores que votassem no Marcelo, ajudei a elegê-lo e não tenho justificativa para romper, ainda mais porque eu também tenho obrigação e compromissos com essa ascensão.

A sra. tem uma história de lutas e engajamento na defesa dos direitos das mulheres e o Judiciário tocantinense conta, hoje, com varas especializadas no combate à violência doméstica. Como a sra. analisa tais avanços em relação ao tema?
Penso que a gama de direitos do gênero feminino avançou muito, porém, as responsabilidades foram ampliadas na mesma proporção. As mães de família não deixaram de ter suas obrigações na gerência e administração das residências e na educação dos filhos, mas ao mesmo tempo trabalha fora e ajuda com seus salários, no sustento do lar.

Em que pese todo esse desdobramento, as mulheres ainda são muito desrespeitadas. Há muito machismo e muita intolerância em nossa sociedade. As leis que protegem as mulheres contribuem muito, como também as varas e juízes especializados no tema, que, através das medidas protetivas, pelo menos mitigam esses abusos.

Há muito ainda para ser feito, muito para avançar. Penso que isso só é possível por intermédio da conscientização, nas escolas, nas igrejas, enfim, em todos os segmentos da sociedade, deixando claro que isso não é feminismo. Isso se chama direito e dignidade.

E no que concerne a participação da mulher na política tocantinense? Qual a sua percepção?
Dentre os 24 deputados estaduais, hoje, somos apenas 4 mulheres. Já na Câmara Federal, dos oito deputados, três são mulheres, e no Senado, das três vagas, uma é ocupada por uma mulher. Considero ainda muito pequena. Poderia ser bem maior, tanto no Tocantins quanto em todo Brasil, se considerarmos que somos 53% da população. Não conseguimos nos últimos anos, eleger nem 20% de mulheres a cargos executivos ou eletivos.

As mulheres são diferenciadas, dedicadas, detalhistas e atuam com excelência no que se propõem a fazer. Todavia, as barreiras existem e a primeira delas são as restrições das próprias eleitoras, que muitas vezes, por puro preconceito com o gênero, não confiam no potencial das candidatas. Creio que falta também um pouco de conscientização. Entretanto, reafirmo: não vou desistir. Tenho convicção que na ampla maioria das vezes que somos eleitas, fazemos a diferença.

Como a sra. analisa a questão das cotas no sistema brasileiro para negros, índios, pobres, quer seja na política, concursos, vestibulares, quer seja em quaisquer outros certames?
Sou plenamente favorável. Caso não fosse a cota feminina, por exemplo, não haveria nem esse número de deputadas que temos hoje nos parlamentos. É certo que seríamos barradas lá na entrada, ainda na fase de filiação partidária.

Quanto aos negros, impossível não reconhecer que temos uma dívida com eles. Qual foi a oportunidade ímpar e real que o país concedeu a esse povo, após a libertação da escravatura? Os registros provam que inexistem tais chances. Os negros têm que provar, dia após dia, que são capazes. Por isso, sou favorável a esse resgate e também uma maneira de incluí-los e proporcionar-lhes oportunidades.

Em discurso no plenário da Assembleia Legislativa do Tocantins, no dia posterior ao impeachment da presidente Dilma, a sra. disse que tal ato era o último suspiro da democracia. Poderia explicar por quê?
Sim, eu disse. E não poderia ficar calada, em que pese tenha feito a opção de falar pouco e ouvir mais, neste parlamento. Me senti, naquele dia, ultrajada e era meu dever alertar a sociedade para a injustiça que havia se estabelecido naquela votação. Era necessário ficar claro que o problema da corrupção não era a Dilma estar no poder e sim o fato da corrupção ser sistêmica, estar arraigada há 500 anos no Brasil.

Creio que as pessoas estavam muito confusas e não queriam se convencer, naquele momento. Foi muita pressão midiática. Naquele momento, a ex-presidente Dilma precisava de apoio e não ser execrada, como foi. E tem um detalhe que tem que ser dito: havia muita discriminação pelo fato dela ser mulher. Porém, não consigo guardar rancor daquelas pessoas, porque todos nós estamos juntos, pagando o preço, quer seja pelo desemprego e pela crise financeira que assolou, de vez, o país, quer seja pela total falta de expectativa que tomou conta dos brasileiros.

Em 2018, precisamos ressuscitar a nossa democracia, elegendo um presidente popular, comprometido com os problemas da nossa sociedade. Um gestor que possa reativar o programa Brasil Sem Fronteiras, a retomada das obras do PAC e das habitações populares, entre outros tantos.

“Não elegemos nos últimos anos nem 20% de mulheres a cargos executivos ou eletivos. precisamos conquistar mais espaço na política”

Um outro pronunciamento em plenário que chamou a atenção, foi quando a sra. levantou a voz para redarguir a aprovação da terceirização, pela Câmara dos Deputados. Porque a sra. é tão efusivamente contra o projeto?
Era necessário me manifestar, até mesmo pelas raízes da sigla a qual sou filiada. Caso eu não discursasse aquele dia, não conseguiria colocar a cabeça no travesseiro para dormir em paz. A tribuna é o local ideal para tais debates e eu o fiz por convicção na ideologia que sigo. E mais: ainda não estou conformada. Espero que um dia, sob o comando de outro governante, a terceirização seja revertida.

A terceirização é, verdadeiramente, uma grande derrota para a classe trabalhadora. Naquele dia, perdemos conquistas que levaram décadas para que fossem reconhecidas e implantadas. E quem perdeu foi quem não tem voz no parlamento. E quem tem voz, infelizmente, não teve consciência.

Me preocupo com o bem-estar das pessoas, não posso ser omissa. Quis alertar os senhores parlamentares para que sejam mais cautelosos nas próximas votações, mesmo porque, em breve, entrará em votação a reforma da Previdência. Caso seja aprovada, a qualidade de vida dos brasileiros estará seriamente comprometida, uma vez que serão necessários mais anos de trabalho para se aposentar e esse trabalho extra, certamente trará prejuízos físicos e mentais aos trabalhadores.

Especificamente em relação ao seu mandato, de 2014 a 2018, qual o balanço do primeiro biênio e quais são as perspectivas para o segundo?
Nestes dois primeiros anos, fomentei e prestigiei, ao máximo, os municípios que se apresentam como minhas bases eleitorais. Destinei emendas, fiz requerimentos, ajudei em tudo foi possível.

Para o segundo biênio, a meta é viajar muito, ouvir as pessoas e contribuir, por intermédio do meu mandato, com o crescimento das cidades tocantinenses e com a melhoria da qualidade de vida da nossa população.

A partir de agosto de 2018, caso as pesquisas indiquem que o eleitorado vê na minha pessoa um bom nome para representá-las, subirei novamente aos palanques, na tentativa de reeleger ao mesmo cargo que hoje ocupo. Esse é o caminho natural, caso não haja contratempo.

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