Segundo a Secretaria da Educação (Seduc), atualmente há 253 professores afastados em Goiás para tratamento de saúde mental. As licenças vigentes equivalem a 0,9% dos 28.367 professores ativos do quadro do Estado. Procurada pelo Jornal Opção há um mês, a Gerência da Junta Médica e Saúde do Servidor em Goiânia ainda não repassou os dados municipais.

A Secretaria Municipal de Administração (Semad) e a Secretaria Municipal de Educação informaram que não tem os dados. O período de afastamento de cada servidor é variável. A média de dias de afastamento é entre 14 e 15 dias, podendo haver casos em que a licença supera 30 dias e outros em que o servidor se mantém afastado por uma semana.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou recentemente que pelo menos 1 bilhão de pessoas sofrem de transtornos mentais no mundo. O Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo e o segundo mais deprimido. Segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), as doenças mentais figuram como as principais causas de afastamento de pessoas do trabalho.

Em Goiás, desde o início da pandemia de Covid-19, em março de 2020, o Governo instituiu o Programa de Acolhimento ao Servidor (PAS), que oferece atendimento psicológico gratuito aos servidores públicos de todos os órgãos do executivo da administração estadual. O PAS promove um momento de escuta empática e apoio emocional, orientando e favorecendo o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento em momentos de dificuldades.

Segundo o Governo de Goiás, o programa já realizou mais de 2.300 atendimentos, que são disponibilizados aos servidores das 7h às 19h, de segunda a sexta-feira. O serviço é coordenado pela Diretoria Executiva de Saúde e Segurança do Servidor (DESSS) e o acolhimento é conduzido por psicólogos que garantem o sigilo ético e a privacidade, de acordo com as exigências do Conselho Federal de Psicologia (CFP).

As ações psicológicas desenvolvidas para o servidor envolvem os seguintes pontos:

1 – Acolhimento: escuta ativa, rodas de conversa, de conflitos, ressignificação, cultura de paz;

2 – Encaminhamentos à Gerência Central de Saúde do Servidor para concessão de Licença Médica, Reabilitação e Readaptação;

3 – Campanhas Psicoeducativas, parcerias e exames in company;

4 – Acompanhamento multiprofissional, presencial e por web conferência;

5 – Realização de atividades correlatas referente a saúde e segurança do servidor;

6 – Práticas integrativas (coral, ginástica, laboral, ginástica funcional, aulas de violão, academia do servidor e oficinas).

Saúde dos professores não vai bem no Brasil

A saúde dos professores no Brasil enfrenta sérios desafios, conforme revelado no recém-lançado livro “Seminários Trabalho e Saúde dos Professores: Precarização, Adoecimento e Caminhos para a Mudança”, apresentado pela Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro) nesta semana. A publicação foi divulgada no contexto do IV Seminário sobre Trabalho e Saúde dos Professores, dedicado à análise da precarização, adoecimento e possíveis caminhos para transformações nesse cenário.

Durante o evento, pesquisadores destacaram que tanto na rede pública quanto na privada, os professores enfrentam uma gama comum de problemas de saúde, predominantemente relacionados a distúrbios mentais, como a síndrome de burnout, estresse e depressão. Em seguida, figuram os distúrbios de voz e os distúrbios osteomusculares, englobando lesões nos músculos, tendões ou articulações. Este diagnóstico levanta questões críticas sobre as condições de trabalho dos profissionais da educação e aponta para a necessidade urgente de abordagens que visem a promoção da saúde e o enfrentamento dessas questões no contexto educacional brasileiro.