O glaucoma é uma doença ocular silenciosa que, por evoluir sem sintomas evidentes, tornou-se a principal causa de cegueira irreversível no mundo. O alerta é ainda mais preocupante em Goiás, estima-se que mais de 120 mil pessoas convivam com o glaucoma sem diagnóstico. No Brasil, esse número chega a mais de 1 milhão de pessoas.

Com prevalência de aproximadamente 2% da população, o glaucoma é uma neuropatia óptica caracterizada, na maioria dos casos, pelo aumento da pressão intraocular, que danifica progressivamente o nervo óptico e compromete o campo visual. O grande desafio é que a doença costuma evoluir sem sintomas nas fases iniciais, fazendo com que muitos pacientes só descubram o problema quando a visão já foi afetada.

Ao Jornal Opção, o Dr. Ricardo Antonio Pereira, oftalmologista especialista em glaucoma e catarata, aponta que fatores como hereditariedade, idade avançada, miopia e alguns problemas oculares aumentam o risco da doença. Embora não tenha cura, o glaucoma pode ser controlado com diagnóstico precoce e tratamento adequado, que pode incluir colírios, laser ou cirurgia. “Na maioria das vezes, é uma doença hereditária familiar”, explica.

Dr. Ricardo Antonio Pereira, oftalmologista especialista em glaucoma e catarata | Foto: Acervo Pessoal

A prevalência da doença aumenta significativamente com o envelhecimento. “Há cerca de 25 anos fizemos um estudo e calculamos que aproximadamente mais de 50 mil pessoas em Goiânia poderiam ter a doença sem saber. Hoje, estimamos que apenas 20 a 25% dos pacientes estejam em tratamento”, afirma.

Segundo ele, o subdiagnóstico é a principal causa da cegueira pelo glaucoma. “Essa população não frequenta o oftalmologista. Essa é a principal causa”, aponta.

O grande desafio é que o glaucoma é silencioso. “Em princípio o paciente não sente nada, ele não tem nenhum sintoma, zero de sintoma. A menos que seja um glaucoma de ângulo fechado, que é a minoria dos casos”, explica.

No glaucoma crônico simples de ângulo aberto, o mais frequente, os sintomas só aparecem em fases avançadas: perda do campo visual lateral, tropeços, colisões, visão de halos ao redor de luzes, dor ocular e baixa de visão lenta. “Quando os sintomas aparecem, a doença já está bem evoluída. Aquilo que se perdeu não se recupera mais”, aponta.

Os grupos de risco incluem pacientes com hipertensão ocular, pessoas negras, mais propensas ao glaucoma de ângulo aberto, e asiáticos, que apresentam maior incidência de glaucoma de ângulo fechado. “No mundo dos asiáticos, a probabilidade de glaucoma de ângulo fechado é muito maior do que na população não asiática”, observa.

O tratamento depende do estágio da doença. Nos casos leves, o uso de colírios é suficiente. Nos moderados, o laser é indicado. Nos avançados, a cirurgia é necessária. “A cirurgia não é a primeira alternativa. O objetivo é alcançar a pressão alvo, que estabiliza a doença. Uma vez determinada essa pressão, o indivíduo para de perder visão. Se não controlar a pressão, continuará perdendo até ficar cego”, explica.

Segundo o especialista, o tratamento, quando seguido corretamente, é eficaz e garante qualidade de vida.

A prevenção é fundamental. “No mínimo uma vez por ano o paciente deve consultar o oftalmologista, se não tiver fatores de risco. Se tiver histórico familiar, hipertensão ocular ou pertencer a grupos de risco, a avaliação deve ser mais frequente”, recomenda.

Ele ressalta que em Goiás existem serviços públicos de altíssima qualidade, inclusive para a população mais pobre. “O acesso existe, o que falta é a conscientização. O paciente precisa entender que a prevenção é a única forma de evitar a cegueira pelo glaucoma”, comenta.

Dr. Ricardo conclui com um alerta: “É lembrar o paciente da necessidade que ele tem de procurar um oftalmologista para avaliar especificamente essa situação ou essa doença. O subdiagnóstico é a principal causa de cegueira. Não espere pelos sintomas, eles só aparecem quando já é tarde demais.”

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