Um levantamento internacional sugere que a resistência à insulina, condição em que o organismo não responde adequadamente ao hormônio responsável por controlar os níveis de glicose no sangue, pode estar ligada ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer, mesmo em pessoas sem diagnóstico de diabetes. 

Os pesquisadores do Hospital Geral de Veteranos de Taichung, na China, analisaram dados de aproximadamente 372 mil voluntários do UK Biobank, banco britânico que reúne informações de saúde de larga escala. Para a investigação, foi criado um modelo de inteligência artificial chamado AI-IR, capaz de estimar a resistência à insulina a partir de exames simples, como glicemia em jejum, índice de massa corporal (IMC) e idade. 

Durante o acompanhamento, foram registrados mais de 51 mil casos de câncer entre os participantes. Embora o risco global de tumores não tenha aumentado, a análise individual revelou associação significativa com seis tipos específicos. Tumores associados: câncer de útero (com risco mais que duplicado); câncer de rim; câncer de esôfago; câncer de pâncreas; câncer de cólon; e câncer de mama. 

Segundo os cientistas, níveis elevados de insulina podem estimular a multiplicação celular, além de favorecer processos inflamatórios e alterações hormonais. Esses fatores criam um ambiente propício para o surgimento de tumores. 

Os autores ressaltam que se trata de uma associação estatística, e não de uma relação direta de causa e efeito. Ainda assim, os resultados indicam que a resistência à insulina pode ser considerada um fator de risco independente para determinados cânceres. 

Tradicionalmente, a resistência à insulina é conhecida por aumentar a probabilidade de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e problemas renais. Agora, o estudo amplia o alerta ao sugerir que o impacto da condição pode atingir também a oncologia. 

Os especialistas destacam que manter hábitos saudáveis, como controlar o peso, praticar atividade física regularmente e monitorar os níveis de glicose, pode reduzir não apenas o risco de diabetes, mas também contribuir para a prevenção de alguns tipos de câncer. 

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