A prática do yoga surgiu a milhares de anos atrás na Índia, sendo que os primeiros registros surgiram com os Sutras de Patañjali. A coleção de sutras (textos) foi a primeira a organizar e catalogar os conhecimentos a respeito da tradição presente na cultura indiana. O trabalho foi realizado por Patañjali, considerado um dos grandes intelectuais em sua época, por volta de alguns séculos antes de Cristo, e que possui uma história misteriosa. 

Independente dos detalhes sobre o surgimento, dezenas de décadas depois, a prática se espalhou para todo o planeta e deixou de ser exclusividade dos indianos. Segundo Wadih Elkadi, professor e instrutor de yoga há mais de 15 anos, houve um processo de “ocidentalização” da atividade.

Conforme definiu, o yoga pode ser considerado: “um trabalho mental de supressão da instabilidade da consciência. Uma metodologia que te leve ao estado de samadhi, o estado superior de consciência”. Entretanto, a importação da ideia por parte do ocidente causou desvirtuações na atividade, incluindo charlatães utilizando como “medicina alternativa”. 

“Isso ocorreu em vários países, incluindo o Brasil, que é pegar uma pegar alguma técnica oriental e ocidentalizar ao ponto de transformá-la em algo que ela não era no começo”, contou Elkadi, destacando que o yoga era relacionado ao Tai Chi Chuan, uma forma de meditação de origem chinesa. “Então, a partir disso, era indicado para pessoas mais velhas porque era considerado algo lento e ideal para idosos”, completou. 

Ele ainda ressaltou que na Índia, a atividade é praticada normalmente por pessoas jovens com um físico mais preparado. Fora que alertou para um outro problema grave, o uso da prática como ciência e como uma alternativa para a medicina.

“O yoga não é ciência, é prática. Cada um vai reagir de uma maneira diferente, apesar de serem os mesmo estímulos. Tudo depende do praticante”, disse. O instrutor ilustrou como exemplo dessa situação o “yoga hormonal”, algo que seria para balancear os hormônios do corpo humano, mas que não possui comprovação científica e tampouco pode ser considerado medicina.