Nutricionista detalha os cuidados com as dietas restritivas de início de ano
26 janeiro 2026 às 19h41

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Com o início do ano, muitas pessoas colocam como meta perder peso rapidamente, recorrendo a dietas radicais e sem acompanhamento profissional. A prática, no entanto, pode trazer sérios riscos à saúde física e mental, como explica a nutricionista clínica, estética e esportiva, Nayara Rios, em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, nesta segunda-feira, 26.

Quase 60% dos brasileiros adultos convivem hoje com excesso de peso ou obesidade. A constatação vem da pesquisa nacional “Meu Peso, Minha Jornada”, conduzida pelo Datafolha, que revela que 59% dos entrevistados têm Índice de Massa Corporal (IMC) acima do recomendado. Esse quadro ajuda a entender por que, no início de cada ano, o objetivo de perder peso volta a ocupar o topo das resoluções pessoais.
Segundo a especialista, os principais problemas dessas dietas são as deficiências nutricionais. “Normalmente o pessoal pensa: ‘vou começar a dieta carnívora’, e acaba esquecendo das fibras, das vitaminas. Foca em alimentos sem carboidratos ou exclui totalmente algum tipo de alimento. Antigamente tinha muito aquela questão da dieta da sopa, dieta líquida, e isso deixa de fornecer nutrientes importantes. A deficiência nutricional pode trazer queda de cabelo, baixa densidade óssea, unhas fracas, baixa de vitamina D, cansaço e fadiga”, explica.
Além dos impactos físicos, Nayara destaca que a restrição alimentar severa pode aumentar a chance de compulsão alimentar. “Quando a gente fala que um alimento é proibido, pensamos muito em não comer e isso dá mais vontade ainda. É como quando alguém decide tirar totalmente o doce ou o açúcar. Quanto mais pensa em não comer, mais vontade tem. Quando finalmente consome, acaba comendo muito mais do que precisa, vem o sentimento de culpa e se inicia um ciclo vicioso: não vou comer mais, comi demais, então vou ficar sem comer por um tempo. E quando come novamente, vem a compulsão alimentar”, alerta.
Sinais de progresso saudável
A nutricionista lembra que emagrecimento não deve ser medido apenas pela balança. “Os sinais de uma boa alimentação saudável incluem começar uma atividade física, intestino funcionando bem – já que nossa imunidade começa nele e a absorção de nutrientes também. Até algumas doenças psicológicas têm relação com o intestino. Então, se ele está funcionando bem, aliado a uma alimentação equilibrada, a perda de peso saudável é super positiva. Também há perda de medidas, aumento de massa muscular, energia e disposição”, afirma.
Por que as dietas radicais surgem em janeiro
Nayara explica que o motivo da busca por dietas restritivas no início do ano está ligado ao período de festas. “No final de ano temos muitas confraternizações, exageramos na alimentação e na bebida alcoólica, o que gera excesso de peso e inchaço. Além disso, com o ano novo, surgem metas novas, muitas vezes difíceis de alcançar, e aí começa essa restrição tão grande na alimentação”, observa.
Estratégias para transformar metas em hábitos
Para evitar frustrações, a especialista recomenda metas simples e atingíveis. “Aumentar a ingestão de água é uma meta fácil. Aumentar a ingestão de proteína também. Colocar uma quantidade de vezes para fazer atividade física que caiba na rotina. Aumentar o consumo de fibras, incluir mais salada nas refeições. São metas mais simples que conseguimos atingir. E é importante diminuir, não retirar. Quando diminuímos aos poucos, conseguimos bons resultados. Já retirar totalmente pode gerar compulsão”, orienta.
O papel do acompanhamento profissional
Nayara reforça que o suporte de nutricionistas e médicos torna o processo de emagrecimento mais seguro e eficaz. “O nutricionista vai te direcionar, explicar o porquê daquela alimentação, encaixar os macronutrientes e micronutrientes que você precisa, montar um planejamento alimentar de acordo com sua rotina. Ele vai incluir alimentos que ajudam a alcançar seu objetivo, sem nada mirabolante, tornando o plano mais fácil de seguir”, afirma.
Aviso
A nutricionista deixa um recado para quem pensa em começar dietas restritivas. “Quando começamos dietas muito restritivas, temos o hábito de abandonar. E quando abandonamos, acabamos extrapolando. O melhor é não restringir totalmente, mas iniciar uma reeducação alimentar, retirando aos poucos e fazendo pequenas mudanças ao longo do tempo. Assim conseguimos atingir nossos objetivos sem sofrimento e com resultados duradouros”, finaliza.
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