Com o período chuvoso, o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e de outras doenças, vem se proliferando e a quantidade de casos e mortes pela doença segue na mesma linha em Goiânia. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), em 2021, seis pessoas morreram por dengue. Já até o início de dezembro de 2022, foram 42 mortes, um aumento de 600%. De acordo com os dados da SMS, após período de queda, em sete anos esse é o maior número de mortes causadas pela doença na Capital. Em 2015, maior número do período até então, foram registrados 39 óbitos.

O coordenador de Fiscalização da Diretoria de Vigilância em Zoonoses da SMS, Jadson Moreira Lima, explicou ao Jornal Opção que o controle de zoonoses está sendo feito, principalmente, em casas abandonadas, que podem ter objetos que acumulem água ou até mesmo piscinas e caixas d’água que estejam abertas. “Ali pode ter um ralo, pode ter uma vasilha com água, algum utensílio com água, piscina que não ocorre tratamento. Então tudo isso é foco pra que os índices continuem se mantendo”, explica.

O especialista alerta a população para o controle da doença. “O trabalho da Prefeitura de Goiânia no combate à dengue é muito importante e tem bons resultados, mas a população precisa colaborar e redobrar a atenção”, salienta. Ele lembra a responsabilidade dos proprietários dos imóveis para evitar o crescimento do número de casos. “O combate ao Aedes precisa ser realizado em conjunto, principalmente quando entramos no período chuvoso, que facilita a possibilidade de surgir potenciais criadouros do mosquito”, afirma.

A Prefeitura de Goiânia realiza informes semanais no site para a população acompanhar os casos e a as mortes da doença. Para eliminar os criadouros do mosquito transmissor, é necessário deixar as casas livres de ambientes propícios à reprodução de Aedes aegypti, como pneus, vasilhames abertos, caixas d’água descobertas, acúmulo de água parada e entulhos.

Alerta nacional

O Brasil deve bater o recorde em mortes por dengue este ano e pode ultrapassar, pela primeira vez, o número de mil óbitos anuais. Até o dia 19 de novembro, quando foi divulgado o mais recente boletim do Ministério da Saúde, haviam sido registrados 975 óbitos, muito próximo das 986 mortes ocorridas em 2015, o maior índice desde que a doença ressurgiu no País, na década de 1980. O número já é quase quatro vezes maior que o total de mortes do ano passado, quando houve 246.

Conforme os dados do Ministério da Saúde, a maior incidência de casos no Brasil tem sido na região centro-oeste. O boletim aponta 1.977 casos por 100 mil moradores. No último ano, a dengue matou 246 pessoas na região.

O aumento nos casos de dengue levou a Sociedade Brasileira de Infectologia a divulgar um alerta nacional, lembrando que o quadro é preocupante e reforçando a necessidade da adoção de medidas preventivas contra a doença. “É urgente que tenhamos uma política de retomada efetiva para combater o vetor da dengue (o mosquito Aedes aegypti). A situação é crítica, por isso fizemos esse alerta nacional”, disse Barbosa. Ele lembrou que, em junho deste ano, quando a letalidade já superava a casa das 500 mortes, a SBI avisou sobre a necessidade de reforçar a prevenção.