Moraes autoriza exames médicos de Bolsonaro após queda na prisão
07 janeiro 2026 às 10h27

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso no processo que investiga a trama golpista, realize nesta quarta-feira, 7, uma série de exames médicos no Hospital DF Star, em Brasília.
A autorização ocorre após Bolsonaro relatar que caiu em sua cela na terça-feira, 6, e bateu a cabeça. Conforme a decisão, ele poderá realizar tomografia computadorizada de crânio, ressonância magnética de crânio e eletroencefalograma.
De acordo com Moraes, o transporte deverá ser feito pela Polícia Federal “de maneira discreta”, com desembarque pelas garagens do hospital. O ministro determinou ainda que a PF mantenha vigilância e segurança completas durante a realização dos exames e no retorno do custodiado à Superintendência da corporação.
Um dia antes, a Polícia Federal informou que Bolsonaro recebeu atendimento médico após relatar a queda à equipe de plantão. Segundo a corporação, o médico constatou ferimentos leves e, naquele momento, não identificou necessidade de encaminhamento hospitalar, indicando apenas observação. A PF ressaltou que qualquer remoção ao hospital depende de autorização do STF.
Nos autos do processo, a defesa afirmou que o ex-presidente “sofreu queda em sua cela, com impacto craniano e suspeita de traumatismo”, sustentando que, diante do histórico clínico recente, haveria risco imediato à saúde. Os advogados pediram autorização urgente para remoção hospitalar, com acompanhamento da equipe médica e escolta policial.
Em relatório médico juntado ao processo no fim da tarde de terça-feira, médicos da PF informaram que atenderam Bolsonaro por volta das 9h. Ele relatou “leve traumatismo craniano e contusão em braços e pés”, além de episódios de tontura no dia anterior e soluços intensos à noite. Ao exame, estava consciente, orientado e sem sinais de déficit neurológico, com lesão superficial na face direita e no hálux esquerdo.
O documento aponta como hipóteses diagnósticas possíveis interação medicamentosa, crise epiléptica, adaptação ao uso de CPAP (hipoxemia) e processo inflamatório pós-operatório.
Bolsonaro retornou à Superintendência da Polícia Federal no dia 1º de janeiro, após passar oito dias internado para tratamento de hérnia na virilha e crises de soluço, condições relacionadas à facada sofrida durante a campanha eleitoral de 2018. Na mesma data, Moraes negou pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa, afirmando que não houve agravamento do quadro de saúde, mas melhora após as cirurgias eletivas realizadas.

